Fumaça perto de prédio operacional leva à evacuação de centro de controle em Congonhas
O Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste, localizado no Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, foi completamente esvaziado na manhã desta quinta-feira (9) devido à presença de fumaça nas proximidades do prédio operacional. Segundo o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Chagas Faierstein, não houve incêndio nem pane elétrica, mas como medida de segurança padrão na aviação, a evacuação foi realizada preventivamente.
Operação estendida e impactos nos aeroportos paulistas
A operação comercial do Aeroporto de Congonhas, que normalmente funciona das 6h às 23h, será estendida até a meia-noite desta quinta-feira. A medida, aprovada pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) a pedido das companhias aéreas, visa reduzir os impactos na malha aérea nacional causados pela suspensão temporária dos voos. De acordo com monitoramento da Anac até as 18h, os percentuais de operações com atraso superior a 30 minutos foram significativos: 43,7% em Congonhas, 39,6% no Aeroporto Internacional de Guarulhos e 28,8% no Aeroporto Internacional de Viracopos.
Detalhes do incidente e retomada das atividades
Faierstein explicou à Globonews que alguns controladores relataram cheiro de queimado e visualizaram fumaça fora do prédio. "Como se trata de um prédio fechado, havia o risco de a fumaça adentrar o ambiente. Por isso, foi feita a evacuação, até que se verificasse a origem dessa fumaça", afirmou. Após cerca de 30 minutos, quando constataram que a fumaça não entraria no prédio, os controladores retomaram o trabalho normalmente. Nenhum sistema nem a segurança de voo foram comprometidos, segundo o presidente da Anac.
Os voos em Congonhas ficaram interrompidos entre 8h58 e 10h09, conforme informado pela Aena, concessionária responsável pela gestão do aeroporto. A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Decea, emitiu nota informando que a interrupção durou 36 minutos, das 9h30 às 10h06, "devido a um problema técnico operacional na região de São Paulo", sem detalhar as causas específicas.
Repercussões em outros aeroportos e declarações oficiais
O incidente afetou a circulação de voos em vários aeroportos do Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, onde ao menos oito voos foram impactados. Em Belo Horizonte, seis voos com destino ou origem em Congonhas ou Guarulhos foram cancelados. Os saguões dos aeroportos paulistas permaneciam lotados com passageiros tentando remarcar voos, embora as autoridades afirmassem que as operações estavam em processo de normalização.
O governador Tarcísio de Freitas atribuiu o problema a um incêndio em uma estrutura da FAB durante agenda em Campinas. "Foi um problema de incêndio numa torre da FAB, que acabou provocando um problema no controle de tráfego aéreo", disse. No entanto, oficialmente, nem a Anac nem a FAB confirmaram essa informação, mantendo a investigação sobre a origem da fumaça.
Ações das autoridades e concessionárias
O Ministério de Portos e Aeroportos identificou um problema técnico no Controle de Aproximação na região de São Paulo, que suspendeu as autorizações de decolagem na área de controle terminal por 35 minutos. A Anac ativou protocolos de pré-crise para acompanhar os impactos e agora concentra esforços em verificar quais empresas aéreas e rotas foram afetadas, além de quantos passageiros foram impactados.
A Aena, concessionária de Congonhas, afirmou que o aeroporto opera normalmente e que está tomando medidas para mitigar os impactos. Já a GRU Airport, gestora do aeroporto de Guarulhos, esclareceu que a paralisação foi causada por "uma interrupção geral no controle de tráfego aéreo na região de São Paulo" e não tinha relação com ocorrências no próprio aeroporto.
A Anac avalia ampliar ainda mais o horário de funcionamento do aeroporto de Congonhas para reduzir os impactos aos passageiros, demonstrando a preocupação com a normalização completa das operações aéreas na região metropolitana de São Paulo.



