Estudantes brasileiros retidos por três dias em aeroporto dos EUA finalmente desembarcam no Brasil
Um grupo de 15 pessoas, composto por 14 estudantes e uma professora, que ficou retido no Aeroporto Internacional de Dallas–Fort Worth (DFW), nos Estados Unidos, desembarcou na tarde desta quarta-feira (28) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. O voo chegou por volta das 13h10, marcando o fim de uma jornada exaustiva que durou três dias.
Cancelamentos consecutivos e condições climáticas adversas
Os brasileiros enfrentaram cinco cancelamentos consecutivos de voos, resultado de uma severa tempestade de inverno que afetou os Estados Unidos e causou o cancelamento de mais de 9 mil voos. Segundo Laís Cardoso, mãe de uma das adolescentes, o grupo deveria ter decolado horas antes, com chegada prevista para as 6h, mas o voo precisou ser adiado devido às condições climáticas desfavoráveis.
O embarque de Dallas para o Brasil ocorreu na madrugada desta quarta-feira, por volta de 0h19 (3h19 no horário de Brasília), após uma intensa mobilização para resolver o caso.
Força-tarefa e mobilização para resgatar os estudantes
A agência Volpe & Lima, responsável pelo intercâmbio, afirmou que a resolução do caso foi possível graças a uma força-tarefa que envolveu múltiplos atores. A ação contou com a atuação decisiva da Embaixada do Brasil em Houston, apoio de autoridades nos âmbitos municipal, estadual e federal, mobilização nas redes sociais, colaboração de famílias americanas, comunicadores digitais e os esforços da própria agência e dos pais dos estudantes.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou que tomou conhecimento do caso e prestou assistência consular ao grupo, seguindo a legislação internacional e nacional.
Condições precárias e relatos de descaso
Os alunos retornavam de um intercâmbio de três semanas e, desde sábado (24), tentavam embarcar para o Brasil sem sucesso. Eles ficaram concentrados no portão A21 do aeroporto, dormindo em cadeiras e sem condições mínimas de descanso e higiene.
“Estamos há três dias sem uma higiene adequada, sujos, sem poder tomar banho e nos alimentando de fast food. A gente fica muito exausto, a nossa mente fica exausta, nosso corpo fica exausto”, relatou uma das estudantes ao g1.
Giselle Sartori Milagres, professora responsável pelo grupo, desabafou sobre a falta de prioridade dada pela companhia aérea: “A gente tinha que ter voltado no sábado, mas parece que não somos uma prioridade para a American Airlines. Já saíram vários voos para o Brasil, estamos no nosso quinto cancelamento, sem poder tomar banho, e o que tem pra comer, não é adequado”.
Resposta da American Airlines e apoio insuficiente
A American Airlines ofereceu apenas um voucher de US$ 12 por pessoa para alimentação, sem garantir hospedagem adequada ou assistência durante a espera. Em nota ao g1, a companhia explicou que, quando cancelamentos são causados por fatores fora de seu controle, como condições climáticas, os passageiros são responsáveis por despesas como hospedagem e alimentação.
Familiares no Brasil criticaram o descaso com os jovens. Laís Cardoso destacou: “Prometeram depois de 24 horas alocá-los em um hotel em Miami e não cumpriram. Os atendentes foram sem educação com a professora, fizeram várias remarcações. Além disso, o voucher é baixo para refeições. Entendemos as questões climáticas, a questão é o descaso com os jovens”.
Retorno ao interior de São Paulo
Após o desembarque em Guarulhos, o grupo seguirá de van até Lençóis Paulista, cidade de origem dos estudantes no interior de São Paulo. A previsão de chegada é entre 17h e 18h, encerrando uma saga que destacou os desafios enfrentados por viajantes em situações de cancelamentos massivos de voos.