Europa tem combustível para aviões por apenas seis semanas, alerta AIE
A Agência Internacional de Energia (AIE) emitiu um alerta preocupante: a Europa possui estoques de combustível suficientes para abastecer aviões por apenas mais seis semanas. O diretor executivo da organização, Fatih Birol, afirmou em entrevista à Associated Press que, se o fornecimento continuar bloqueado, cancelamentos de voos podem ocorrer em breve.
Estreito de Ormuz fechado e preços em alta
O estreito de Ormuz, uma rota crucial para o combustível de aviação que sai do Golfo Pérsico, está efetivamente fechado pelo Irã há mais de seis semanas. Essa medida é uma resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, o que fez os preços dispararem e gerou temores de escassez. A AIE destacou em seu relatório mensal que, se a região não conseguir substituir pelo menos metade de suas importações do Oriente Médio, os estoques podem atingir um ponto crítico já em junho.
Cancelamentos anunciados por companhias aéreas
Até esta sexta-feira, duas grandes companhias europeias já anunciaram cancelamentos:
- Lufthansa: A subsidiária regional Lufthansa CityLine suspenderá as operações de suas 27 aeronaves a partir de sábado, citando o aumento significativo dos preços do querosene e conflitos trabalhistas.
- KLM: A companhia aérea holandesa cancelou 160 voos para o próximo mês, embora afirme que isso afetará menos de 1% de sua programação, atribuindo a medida ao aumento vertiginoso dos custos.
Além disso, a Scandinavian Airlines (SAS) já havia anunciado o cancelamento de ao menos mil voos em abril, enquanto a EasyJet reportou um custo adicional de combustível de 25 milhões de libras em março devido ao conflito.
Impacto no mercado global de aviação
A Europa dependia historicamente do Oriente Médio para cerca de 75% de suas importações de combustível de aviação. Com o fechamento do estreito de Ormuz, os países europeus estão buscando alternativas, principalmente dos Estados Unidos e da Nigéria. No entanto, a AIE alerta que, mesmo com esses carregamentos, apenas um pouco mais da metade do fornecimento perdido seria substituído.
"Escassez física poderia surgir em aeroportos selecionados, resultando em cancelamentos de voos e destruição da demanda", afirma a agência em seu relatório. Se três quartos do fornecimento pudessem ser repostos, a situação crítica poderia ser adiada para agosto, mas a necessidade de atrair mais cargas de reposição permanece urgente.
Reações do setor e autoridades
No Reino Unido, um porta-voz garantiu que está trabalhando com fornecedores e companhias aéreas para evitar interrupções, enquanto a Airlines UK destacou a importância de reduzir a burocracia para proteger consumidores e competitividade. A Comissão Europeia, por sua vez, afirmou que não há evidências de escassez atualmente, mas reconheceu que problemas podem surgir em um futuro próximo.
Especialistas como Amaar Khan, da Argus Media, alertam que, mesmo com a retomada do fornecimento do Golfo, pode haver escassez antes do pico de viagens do verão europeu, geralmente entre junho e agosto. O preço de referência do combustível de aviação europeu já atingiu um recorde histórico, subindo de US$ 831 para US$ 1.838 por tonelada desde o início do conflito.
Com muitas companhias aéreas enfrentando custos operacionais elevados – onde o combustível representa de 20 a 40% das despesas –, a crise no mercado da aviação se intensifica, exigindo medidas urgentes para garantir a continuidade dos voos e a segurança energética do continente.



