Tragédia aérea no Litoral Norte gaúcho deixa quatro mortos
Uma queda de avião de pequeno porte em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, resultou na morte de quatro pessoas na última sexta-feira (3). As vítimas foram o casal de empresários Déborah Belanda Ortolani, de 59 anos, e Luis Antonio Ortolani, de 61, além do piloto Nélio Pessanha e do copiloto Renan Saes. Os corpos foram velados e sepultados em cerimônias realizadas no interior de São Paulo entre sábado (4) e esta segunda-feira (6).
Despedidas emocionantes no interior paulista
O casal Ortolani, que residia no litoral gaúcho, foi velado inicialmente no domingo (5) em Capão da Canoa, nos fundos do Shopping 2000. Nesta segunda-feira (6), os corpos foram trasladados para sua cidade natal, Ibitinga (SP), onde a cerimônia de despedida começou às 12h no Velório Municipal. O sepultamento ocorreu às 16h no Cemitério Municipal da cidade.
Os tripulantes da aeronave, ambos moradores de Itápolis (SP), cidade localizada aproximadamente 20 quilômetros de Ibitinga, receberam homenagens separadas. O copiloto e empresário Renan Saes foi sepultado no domingo (5) no Cemitério Municipal de Itápolis. Já o piloto Nélio Pessanha foi homenageado na noite de sábado (4) no Aeroclube de Itápolis, antes de seu corpo ser trasladado para sua cidade natal, Campos dos Goytacazes (RJ), onde o sepultamento ocorreu no domingo.
Legado empresarial do casal Ortolani
Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani eram reconhecidos organizadores de feiras de roupas e enxovais, atuando no setor de eventos com destaque para o segmento têxtil. Naturais de Ibitinga, cidade conhecida como a Capital Nacional do Bordado, eles haviam se mudado há alguns anos para Xangri-lá (RS), desenvolvendo parte dos negócios na vizinha Capão da Canoa.
O casal estava à frente de uma feira itinerante inspirada na tradicional Feira do Bordado de Ibitinga, uma das maiores feiras de enxovais da América Latina. Utilizando a reputação do polo têxtil ibitinguense, eles promoviam eventos comerciais em diferentes cidades gaúchas, reunindo expositores e produtos ligados principalmente ao vestuário e artigos para cama, mesa e banho.
Em nota oficial, a Prefeitura de Ibitinga manifestou profundo pesar pela morte do casal, destacando sua contribuição ao desenvolvimento econômico e social do município. "Reconhecidos por sua atuação no setor empresarial, especialmente por sua contribuição à tradicional Feira de Ibitinga, o casal deixa um legado importante", afirmou a administração municipal.
Detalhes do acidente aéreo
O acidente ocorreu por volta das 10h40 da última sexta-feira (3) na Avenida Valdomiro Cândido dos Reis, em área residencial de Capão da Canoa. O avião de pequeno porte caiu sobre um restaurante que estava fechado no momento, com residências vizinhas também sendo atingidas. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da queda, seguida por uma explosão.
Segundo informações das autoridades, a aeronave teria colidido contra um poste próximo ao fim da pista de decolagem antes de atingir o estabelecimento comercial. O Corpo de Bombeiros confirmou a morte das quatro pessoas a bordo. Moradores das casas vizinhas não ficaram feridos e foram retirados em segurança pelas equipes de resgate.
Voo de demonstração terminou em tragédia
A aeronave havia saído de Itápolis e fazia um voo de retorno ao interior paulista quando sofreu o acidente. De acordo com a empresa responsável pela aeronave, o voo seria uma demonstração ao casal Ortolani, que teria interesse em comprar o avião. "Eles estavam analisando a compra da aeronave", explicou Allan Peluzzi, proprietário da Peluzzi Aviation, empresa de venda e aluguel de aviões.
Esta seria a primeira vez que os empresários voavam naquela aeronave específica. O incêndio resultante da queda foi controlado por equipes do Corpo de Bombeiros, Brigada Militar, prefeitura e CEEE, que prestaram apoio durante a ocorrência.
O casal não tinha filhos em comum, mas formava uma família com filhos de relacionamentos anteriores. Déborah era mãe de trigêmeos, enquanto Luis era pai de um filho. Sua trajetória empresarial e familiar deixa marcas profundas nas comunidades de Ibitinga e Capão da Canoa.



