Acidente aéreo no interior do Acre completa dois anos sem conclusão sobre causas
Passados exatos dois anos do trágico acidente aéreo que vitimou quatro pessoas no município de Manoel Urbano, interior do Acre, as investigações sobre as causas da queda ainda não foram concluídas. Segundo o mais recente relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), as apurações avançaram apenas 55% até o momento, mantendo familiares e sobreviventes em busca de respostas sobre o ocorrido.
Detalhes do acidente que chocou o Acre
O fatídico dia 18 de março de 2024 registrou a queda de um avião modelo Cessna Skylane 182 pouco após decolar de Manoel Urbano com destino a Santa Rosa do Purus. A aeronave, que deveria transportar no máximo quatro pessoas, carregava sete ocupantes no momento do acidente, incluindo seis passageiros e o piloto. O local da queda, uma área de difícil acesso a aproximadamente 1 quilômetro da cabeceira da pista, complicou os primeiros socorros.
Das sete pessoas a bordo, quatro perderam a vida: o piloto Valdir Roney Mendes, 59 anos, com mais de três décadas de experiência em aviação; o empresário peruano Sidney Estuardo Hoyle Vega, 73 anos, que faleceu no local; a comerciante Suanne Camelo, 30 anos, que sucumbiu nove dias após o acidente com mais de 90% do corpo queimado; e a biomédica Amélia Cristina Rocha, 28 anos, que veio a óbito mais de dois meses depois, em 24 de março.
Sobreviventes e irregularidades na aeronave
Três pessoas sobreviveram ao desastre: Mateus Jeferson Fontes, noivo de Suanne Camelo; Bruno Fernando dos Santos, marido de Amélia Cristina; e a estudante Deonicilia Salomão Kalisto Kaxinawá, menor de idade que foi a menos ferida. Relatos familiares indicam que tanto Amélia quanto Deonicilia manifestaram receio antes do voo, com a estudante chegando a viajar sentada junto às malas.
Investigações posteriores revelaram graves irregularidades na aeronave de prefixo PT-JUN. O avião estava registrado para serviço aéreo privado, mas operava ilegalmente como táxi aéreo, com seu Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) vencido desde 1º de junho de 2019. Além disso, a aeronave transportava três pessoas além da capacidade máxima permitida, configurando sobrecarga crítica.
Andamento lento das investigações
O Cenipa, órgão responsável pelas investigações, enfatiza que seu trabalho tem caráter preventivo e não punitivo, visando evitar a recorrência de eventos similares. As equipes técnicas continuam analisando múltiplos fatores, incluindo componentes e sistemas da aeronave, desempenho humano, condições do aeródromo, operação do voo e aspectos de manutenção.
O relatório divulgado mantém caráter preliminar, podendo sofrer alterações até a publicação final. Até o momento, nenhuma recomendação de segurança foi emitida pelo órgão, que reforça a complexidade das investigações em acidentes aeronáuticos, especialmente em regiões de acesso difícil como o interior acreano.
Contexto regional e isolamento logístico
Santa Rosa do Purus, destino original do voo, é um dos municípios mais isolados do Acre, onde o acesso só é possível por via fluvial ou aérea. Esta realidade torna os voos regionais essenciais para a população, mas também expõe vulnerabilidades na fiscalização e operação de aeronaves de pequeno porte na Amazônia.
O acidente em Manoel Urbano representa o segundo caso do tipo em menos de cinco meses no estado, levantando preocupações sobre a segurança da aviação regional no Norte do país. Familiares das vítimas e sobreviventes aguardam ansiosamente a conclusão das investigações, que poderão trazer esclarecimentos definitivos sobre as causas da tragédia e medidas para prevenir futuros acidentes.



