Marquise do Ibirapuera alaga três dias após reabertura milionária em São Paulo
A Marquise do Parque Ibirapuera, reaberta com pompas no último sábado (24) após seis anos fechada, enfrentou seu primeiro teste prático nesta terça-feira (27) – e falhou redondamente. Durante o forte temporal que atingiu a capital paulista, a estrutura projetada por Oscar Niemeyer ficou completamente alagada, com água acumulada invadindo até os banheiros do local. A cena contrasta brutalmente com a celebração da reabertura, que consumiu quase R$ 87 milhões em recursos públicos.
Investigação sobre falhas na drenagem após obra milionária
A requalificação da Marquise, executada pela concessionária Urbia com recursos da Prefeitura de São Paulo, incluiu recuperação de piso, pilares, vigas, forro e sistema de iluminação. No entanto, as imagens do alagamento sugerem que problemas de drenagem podem não ter sido adequadamente resolvidos. Procuradas após o incidente, a Prefeitura e a Urbia não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.
O espaço, que tem cerca de 27 mil metros quadrados e liga diferentes equipamentos culturais do parque, estava fechado desde 2019 e totalmente interditado desde 2020, após laudos apontarem risco de colapso. Em novembro de 2017, parte do revestimento do teto havia desabado, acelerando as interdições.
Temporal causa caos generalizado na capital paulista
O alagamento da Marquise foi apenas um dos muitos transtornos causados pela chuva intensa em São Paulo. Entre 14h e 18h28, o Corpo de Bombeiros registrou:
- 33 ocorrências de quedas de árvores
- Uma ocorrência de desabamento
- Quatro ocorrências de enchentes na capital e região metropolitana
Vias importantes como a Rua da Consolação e a Avenida 23 de Maio ficaram temporariamente bloqueadas. A Enel informou que mais de 80 mil imóveis ficaram sem luz na Grande São Paulo no pico do temporal, número que caiu para cerca de 60 mil clientes impactados às 19h.
Alagamentos aumentam 31% em São Paulo
Um levantamento exclusivo com dados municipais mostra que os alagamentos causados pelas chuvas estão cada vez mais frequentes na capital. Em 2024, houve um aumento de 31% nos casos de alagamento em comparação com o ano anterior. Especialistas alertam para a necessidade de investimentos em alternativas para reter água da chuva.
O professor Anderson Kazuo Nakano, da Universidade Federal de São Paulo, defende que a cidade precisa "sair dessa lógica e dessa solução única dos piscinões" e pensar em diferentes tipos de retenção de águas pluviais. Só nesse começo de verão, pelo menos quatro pessoas já morreram na região metropolitana em decorrência de acúmulos de água.
Reabertura celebrada com discurso político
Na cerimônia de reabertura no sábado, véspera do aniversário de 472 anos de São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) comemorou a entrega do espaço. "Dia de alegria para nós, dia da gente poder fazer essa entrega importante desse patrimônio da cidade", afirmou. Para frequentadores antigos, a reabertura simbolizou um reencontro com um local tradicional.
A Marquise do Ibirapuera, inaugurada em 1954 junto com o parque, acumulou problemas ao longo dos anos como rachaduras e infiltrações. As obras de requalificação começaram apenas em 2024, após anos de debates sobre o futuro da estrutura.