Incêndio no Shopping Tijuca: Falha em alarme e depoimentos revelam detalhes da tragédia
Falha em alarme dificultou combate a incêndio no Shopping Tijuca

O representante da empresa responsável pela brigada de incêndio do Shopping Tijuca prestou depoimento à polícia nesta segunda-feira (12), em meio às investigações sobre o incêndio que matou dois bombeiros civis no dia 2 de janeiro. As novas informações revelam uma falha crítica no sistema de detecção de fumaça da loja onde o fogo começou, o que teria dificultado gravemente o combate às chamas.

Falha no sistema de alarme atrasou resposta

De acordo com o advogado Alexandre Lopes, que representa a empresa terceirizada CM Couto, o equipamento de alarme da loja Bell'Art, localizada no subsolo, não funcionou no momento do incidente. Este sistema é crucial, pois se comunica diretamente com a área de segurança do shopping. "No dia em que ocorreu o incêndio, não funcionou o equipamento de alarme da loja", afirmou Lopes, destacando que a falha impediu um alerta imediato.

O advogado explicou que, quando a brigada chegou ao local, o fogo já estava em um estágio avançado, tornando inúteis os extintores portáteis. "Tiveram que acionar as mangueiras, e isso também leva mais tempo ainda pra combater. Se você chega com um extintor, é mais rápido. Se você vai com a mangueira, é mais devagar. Encontraram um cenário muito adverso já com muita fumaça", detalhou. A CM Couto foi a mesma empresa que realizou a vistoria técnica que havia identificado problemas anteriores na loja Bell'Art.

Circunstâncias das mortes e investigação em andamento

As duas vítimas fatais eram brigadistas da empresa CM Couto. Em seu depoimento à 19ª DP (Tijuca), o diretor de operações da brigada, Jorge Benedito de Oliveira, narrou que acredita que a brigadista Emellyn morreu asfixiada. Segundo ele, o oxigênio de seu equipamento de proteção acabou, e ela teria retirado a máscara em meio à fumaça espessa. Seu corpo só foi localizado horas após o início do combate.

A polícia já recebeu e analisa as imagens de câmeras de segurança do shopping que registram o desenrolar do incêndio. A delegada responsável pelo caso também busca ouvir testemunhas que estavam no centro comercial naquele dia para reconstituir a dinâmica da evacuação. Outros depoimentos importantes estão marcados para os próximos dias, incluindo o do superintendente do shopping e dos responsáveis pela loja Bell'Art.

Um ponto ainda em aberto é o tempo que levou para o Corpo de Bombeiros oficial ser acionado. De acordo com o advogado da CM Couto, a responsabilidade por esse acionamento é do próprio Shopping Tijuca.

Caminho para reabertura e interdições permanentes

O Shopping Tijuca permanece fechado há 10 dias, mas deu início a um processo de reabertura parcial. No último sábado (10), parte dos lojistas recebeu autorização para acessar suas lojas e quiosques para limpeza e reorganização de estoques. Em nota divulgada nesta segunda, a administração afirmou que as áreas comuns já foram higienizadas e todos os sistemas revisados, e que o shopping aguarda a liberação dos órgãos competentes para reabrir.

No entanto, o subsolo e parte do primeiro piso, onde ficam 14 lojas acima da Bell'Art, continuam interditados pela Defesa Civil. O centro comercial reforçou que colabora com todas as autoridades e está à disposição para contribuir com as investigações. O g1 tentou contato com a loja Bell'Art, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.