Uma falha grave nas inspeções de segurança contribuiu para uma das piores tragédias recentes da Suíça. As autoridades do resort alpino de Crans-Montana admitiram, nesta terça-feira (6), que o bar Le Constellation, destruído por um incêndio fatal durante uma festa de Ano Novo, não passava por vistorias de segurança e contra incêndio desde o ano de 2020. O fogo, que começou nas primeiras horas de 1º de janeiro de 2025, causou a morte de 40 pessoas e deixou 116 feridos, muitos em estado grave.
Falta de fiscalização e cenas de caos
Em coletiva de imprensa realizada cinco dias após o desastre, o prefeito de Crans-Montana, Nicolas Feraud, expressou profundo arrependimento. "Inspeções periódicas de segurança e contra incêndio não foram realizadas entre 2020 e 2025. Lamentamos isso amargamente", declarou o prefeito. O relatório preliminar das investigações oficiais aponta que o incêndio teve início quando sinalizadores presos a garrafas de bebida foram erguidos muito perto do teto do estabelecimento, provocando uma conflagração rápida e devastadora.
Vídeos gravados por frequentadores e divulgados nas redes sociais mostram o momento em que as chamas se alastram pelo teto, enquanto jovens tentavam, em vão, conter o fogo inicial. Testemunhas descreveram cenas de pânico e caos, com pessoas tentando quebrar janelas para escapar e outras correndo pelas ruas da estação de esqui com graves queimaduras. O serviço de emergência do principal hospital da região de Valais ficou sobrecarregado, forçando a transferência de 50 pacientes para centros especializados em queimaduras em outros países da Europa.
Vítimas internacionais e investigação em andamento
O trabalho de identificação das vítimas tem sido complexo devido à gravidade do incidente. A polícia suíça informou que todas as 40 vítimas fatais já foram identificadas, mas não divulgou detalhes. A promotora responsável pelo caso, Beatrice Pilloud, afirmou que a identificação completa pode levar semanas. Entre os mortos está o jovem golfista italiano Emanuele Galeppini, de 16 anos, que estava de férias com a família.
Dada a popularidade internacional do resort, muitas vítimas são estrangeiras. O governo da Itália confirmou pelo menos 16 mortos, enquanto a França informou que nove cidadãos estão entre os feridos e oito seguem desaparecidos. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, lamentou o episódio e afirmou não ter sido notificado sobre a presença de brasileiros entre as vítimas até o momento.
A promotoria suíça trata o caso como um incêndio acidental e descartou qualquer hipótese de ataque criminoso. As investigações agora se concentram em apurar se o bar, com capacidade para 300 pessoas internas e mais 40 na varanda, cumpria as normas de segurança, incluindo o número adequado de saídas de emergência. Os proprietários do estabelecimento, um casal de franceses que escapou ileso, ainda não se pronunciaram publicamente.
Luto nacional e busca por respostas
O presidente suíço, Guy Parmelin, classificou a tragédia como "uma calamidade de proporções sem precedentes e aterrorizantes". Ele decretou luto nacional, com as bandeiras hasteadas a meio mastro por cinco dias. "Por trás dos números há rostos, nomes, famílias, vidas brutalmente interrompidas", declarou Parmelin.
Enquanto as famílias aguardam angustiadas por notícias, a comunidade local e internacional se une em luto. Na rua onde ficava o bar Le Constellation, fitas de isolamento policial, flores e velas marcam o local da tragédia. A investigação segue para determinar as responsabilidades pela falta de vistoria e pelas possíveis falhas de segurança que transformaram a celebração de Ano Novo em uma noite de horror nos Alpes suíços.