Aumento de 23% em resgates de pessoas presas em elevadores no DF em 2025
Cresce 23% resgates de pessoas presas em elevadores no DF

Aumento de 23% em resgates de pessoas presas em elevadores no DF em 2025

Ficar preso no elevador tem se tornado um problema cada vez mais recorrente no Distrito Federal. Somente no ano de 2025, o Corpo de Bombeiros da capital federal registrou impressionantes 998 ocorrências de pessoas que ficaram confinadas dentro desses equipamentos. Esse número representa um aumento significativo de 23% em comparação com os 884 casos registrados ao longo de todo o ano de 2024, também no território do DF.

Principais causas dos incidentes com elevadores

O engenheiro especializado em elevadores, Rodrigo Romero, explicou à TV Globo que incidentes desse tipo geralmente são causados por três fatores principais que comprometem a segurança dos usuários. Em primeiro lugar, o excesso de peso sobrecarrega todo o sistema mecânico e elétrico, elevando consideravelmente o risco de falhas técnicas. Em segundo lugar, a ausência de manutenção preventiva e corretiva regular dos equipamentos. E em terceiro lugar, as oscilações de energia na rede elétrica que alimenta os elevadores.

"A grande maioria das pessoas pensa 'ah, mais um aqui, ele vai levar, ele vai transportar'. Na verdade, o excesso de peso é um dos maiores fatores hoje que prendem passageiros dentro do elevador", afirmou o engenheiro com propriedade. Além da sobrecarga, a manutenção inadequada ou realizada de forma irregular aparece como fator recorrente nas ocorrências atendidas pelos bombeiros do Distrito Federal.

Falhas nos sistemas de comunicação e casos judiciais

Em muitos dos resgates realizados, o acionamento do Corpo de Bombeiros ocorre após falhas graves nos sistemas internos de comunicação dos elevadores, como interfones que simplesmente não funcionam quando mais são necessários. A Justiça do Distrito Federal recentemente condenou um condomínio a pagar a quantia de R$ 3 mil a título de danos morais para duas mulheres que passaram por essa situação angustiante.

Carolina de Melo Nogueira e Gilda Lucia de Melo Nogueira ficaram presas em um elevador do condomínio Fusion Work e Live, localizado na Asa Norte, por aproximadamente uma hora e meia. Durante todo esse tempo, elas permaneceram sem ventilação adequada, sem acesso a água e sem qualquer meio de comunicação eficaz com o exterior.

O condomínio tentou argumentar que não houve culpa específica pelo ocorrido e pediu a redução do valor da indenização, mas o pedido foi negado pela Justiça. Em decisão de segunda instância, o colegiado afirmou categoricamente que o elevador é um bem comum e de obrigação direta do condomínio, destacando ainda que situações desse tipo ultrapassam em muito um simples transtorno cotidiano.

"Resta nítida a violação à integridade psíquica das recorridas que ficaram por uma hora e trinta minutos presas no elevador aguardando a chegada do técnico, sentadas no chão, sem ventilação e sem água, conforme consta em fotos juntadas na inicial, o que causa grande aflição e ultrapassa a esfera dos eventos cotidianos e denota potencial de malferir direito da personalidade", afirmou a decisão judicial de forma contundente.

Quando acionar o Corpo de Bombeiros e dicas de segurança

Segundo orientações do próprio Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, o elevador continua sendo um dos meios de transporte mais seguros disponíveis, mas não é completamente isento de riscos. A corporação esclarece que nem todo caso de passageiro preso no elevador exige necessariamente o acionamento imediato dos bombeiros.

A ligação para o serviço de emergência é especialmente recomendada nos casos em que a pessoa retida apresenta alguma condição clínica que possa ser atendida pela corporação, como crises de pânico, fobias específicas ou problemas respiratórios de forma geral.

Confira abaixo as principais dicas dos bombeiros para quem eventualmente ficar preso em um elevador:

  1. Tentar manter a calma na medida do possível, pois o desespero só piora a situação.
  2. Fazer técnicas de respiração controlada – inspirar profundamente por 5 segundos e soltar o ar lentamente por mais 5 segundos.
  3. Não forçar a porta sob nenhuma circunstância, nem tentar sair sozinho sem assistência especializada.
  4. Fazer contato com alguém na parte externa do elevador – seja através da porta ou utilizando o sistema de comunicação interno (interfone).

O crescimento no número de resgates a pessoas presas em elevadores no Distrito Federal alerta para a necessidade de maior atenção com a manutenção preventiva desses equipamentos e com o respeito aos limites de carga estabelecidos pelos fabricantes.