Trabalhadores gaúchos resgatados de trabalho escravo em fazenda em MT
Gaúchos resgatados de trabalho escravo em MT

Dois trabalhadores gaúchos foram resgatados após denunciarem, na sexta-feira (22), terem sido vítimas de ameaças, agressões e condições análogas à escravidão em uma fazenda localizada em Alta Floresta, no estado de Mato Grosso. O empregador, de 39 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar.

Denúncia e resgate

De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada depois que uma das vítimas relatou ter sido agredida. No local, os trabalhadores contaram que saíram do Rio Grande do Sul com a promessa de emprego em Mato Grosso. Segundo a PM, eles foram contratados por um empreiteiro que, conforme as vítimas, retinha parte dos salários e era o responsável pelos maus-tratos.

As vítimas afirmaram à polícia que estavam alojadas em uma residência pertencente ao suspeito, na comunidade Rio Verde, e eram levadas diariamente para trabalhar na fazenda, onde o homem atuava. Conforme os relatos, o empregador vinha reclamando do rendimento dos funcionários e os ameaçava, dizendo que os deixaria sem recursos para retornar ao estado de origem.

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Os trabalhadores contaram ainda que foram contratados para permanecer três meses no serviço, porém recebiam apenas metade do salário mensal, ficando o restante para pagamento ao final do período combinado.

Prisão do suspeito

Na sexta-feira, durante o deslocamento até a fazenda, o suspeito acusou os trabalhadores de terem furtado uma caixa de som de sua residência. Ao negar a acusação, uma das vítimas teria sido agredida com tapas e chutes, e depois procurou a polícia. Os militares realizaram buscas no alojamento utilizado pelos trabalhadores e registraram imagens do local em condições degradantes.

Inicialmente, o suspeito não foi encontrado, mas depois foi localizado em uma estrada próxima. Após abordagem, ele recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil para as providências cabíveis.

Trabalho escravo em Mato Grosso

Dados do relatório 'Conflitos no Campo Brasil 2025', lançado pela Comissão Pastoral da Terra de Mato Grosso (CPT-MT), destacam que Mato Grosso lidera o ranking nacional de trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão em 2025, enquanto também registra avanço dos conflitos agrários e aumento das ameaças de despejo no estado.

Segundo o levantamento, 606 trabalhadores foram liberados de situações degradantes no estado apenas no ano passado. O principal caso ocorreu em agosto de 2025, em Porto Alegre do Norte, a 1.021 km de Cuiabá, onde 586 pessoas foram encontradas em condições análogas à escravidão durante a construção de uma usina de etanol. Outro resgate envolveu 20 trabalhadores submetidos a irregularidades no corte de empilhamento de madeira em uma fazenda em Nova Maringá, a 379 km da capital.

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