Morador relata cena de horror ao socorrer adolescente mordido por tubarão em Olinda
O auxiliar técnico de som Marcelo Expedito viveu momentos de angústia e desespero na tarde de quinta-feira (29), quando socorreu o adolescente Deivson Rocha Dantas, de 13 anos, vítima de um ataque de tubarão-cabeça-chata na Praia Del Chifre, em Olinda, Pernambuco. O jovem não resistiu aos ferimentos e faleceu a caminho do hospital.
Cenário de desespero na praia
Marcelo, que mora próximo à praia, relatou que escutou gritos de pessoas falando sobre o incidente e correu imediatamente para ajudar no resgate. "Cenário era de horror. Me deparei com as crianças já tirando ele da água. Até então, as crianças não sabiam o que fazer", contou à TV Globo.
Sem hesitar, o morador tomou a iniciativa: "De imediato, coloquei eles nos braços, saí da areia, saí da praia, já direto para ir atrás do socorro". O ferimento da mordida era tão grave que não havia tempo para aguardar uma ambulância.
Corrida contra o tempo
Diante da urgência, Marcelo avistou um veículo de aplicativo que estava deixando passageiros e pediu ajuda ao motorista. "Me deparei com o Uber que estava deixando os passageiros. Já pedi ao motorista, entrei no carro com ele. Aquele cenário muito horrível, que a mordida foi muito profunda. Um cenário de horror mesmo", lembrou.
Juntos, seguiram para o Hospital do Tricentenário, localizado no Bairro Novo, também em Olinda. A distância entre a praia e o hospital é de aproximadamente 10 minutos de carro, mas, infelizmente, o adolescente já chegou sem vida à unidade de saúde.
Extensão dos ferimentos
O médico Levy Dalton, clínico geral que atendeu a vítima, explicou que a lesão ocorreu na coxa direita e era bastante extensa. Devido à dimensão e ao local do ferimento, por onde passam artérias importantes, o adolescente perdeu uma quantidade significativa de sangue, o que contribuiu para o desfecho fatal.
Laços comunitários e sonhos interrompidos
Marcelo revelou que, por seis anos, foi vizinho do garoto e que seu filho e Deivson costumavam jogar futebol juntos. "Ele era muito gente boa. O sonho do cara era ser jogador de futebol, assim como é o do meu filho. (...) Uma pessoa ótima, uma criança íntegra, de vários sonhos. Interrompidos, infelizmente, por essa fatalidade", lamentou.
Falta de opções de lazer e fiscalização
O socorrista comentou que a comunidade está ciente dos perigos da praia, que possui sinalização sobre o risco de encontro com tubarões. No entanto, a escassez de opções de entretenimento na região leva alguns moradores, especialmente crianças, a recorrerem ao mar para momentos de lazer.
"Infelizmente, as crianças, no período de férias, não têm muita opção dentro da nossa comunidade para se divertir. A única diversão é a praia. Infelizmente, aconteceu mais um caso de ataque de tubarão aqui na comunidade", pontuou Marcelo.
Fabíola Kelly, tia do adolescente, reforçou essa perspectiva, reclamando da falta de fiscalização na área para evitar que as pessoas entrem no mar. "Eles só têm aquele lazer ali, que é brincar, jogar bola na praia e tomar um banho. Então, se tem um bombeiro ali, ele vai orientar 'saia da água'. Porque são crianças, só tem aquele lazer ali. Mas não tem [bombeiros]", disse à TV Globo.
Contexto dos incidentes com tubarão em Pernambuco
Desde 1992, Pernambuco registrou 82 incidentes com tubarão, sendo 67 no Grande Recife e 14 na ilha de Fernando de Noronha, incluindo o caso desta quinta-feira. Recentemente, o estado tem vivido uma série de ocorrências:
- Em 9 de janeiro de 2026, em Fernando de Noronha, a turista Dayane Dalezen, de 36 anos, foi mordida na perna por um tubarão-lixa, com ferimento considerado sem gravidade.
- Em 12 de janeiro de 2026, o governo do estado anunciou o lançamento de um edital para retomar, após 11 anos, o monitoramento de tubarões no litoral, utilizando microchips para acompanhar o comportamento dos animais.
- Em março de 2023, em menos de 15 dias, um surfista foi mordido na Praia Del Chifre, e dois adolescentes foram atacados em dias seguidos em Piedade, Jaboatão dos Guararapes.
Este triste episódio reforça a necessidade de medidas mais efetivas de segurança e conscientização nas praias de Olinda e de todo o litoral pernambucano, especialmente em áreas conhecidas pela presença de tubarões.