Seis pescadores seguem desaparecidos há 11 dias no Rio de Janeiro
Seis pescadores desaparecidos há 11 dias no RJ

Há mais de dez dias, uma embarcação com seis pescadores segue desaparecida no Rio de Janeiro, sem qualquer vestígio do que pode ter acontecido com a tripulação. Desde então, as famílias dos seis tripulantes, entre eles cinco maranhenses, vivem a angústia da espera por notícias.

Família desolada aguarda por respostas

Entre os familiares que enfrentam a incerteza está a família do pescador maranhense Nilton de Jesus Silva, de 66 anos, que era o mestre da embarcação. Tatiana Silva, de 37 anos, filha do pescador, contou que a família está devastada com o desaparecimento do pai, conhecido por ter um coração de criança.

Meu pai é meu herói e aqui todos conhecem ele como um homem de bom coração. Coração de criança, sempre ajudando a todos. Meu coração e da minha família está devastado, em pedaços, disse Tatiana.

Buscas remotas e frustração

Nesta quarta-feira (28), a família de Nilton recebeu a informação de que a Marinha do Brasil deve continuar somente com buscas remotas. Isso significa que equipes estarão em alerta para atuar apenas caso alguma informação sobre a embarcação seja repassada.

Eles tentaram enrolar a gente. Eles falaram que as buscas com os meios cabíveis deles foram feitas e que agora não vai mais ter navio, que vai ter apenas busca remota, relatou Tatiana Silva, expressando a dificuldade em aceitar essa decisão.

Detalhes do desaparecimento

No dia 8 de janeiro, o grupo que estava em alto-mar retornou à terra para buscar mais suprimentos, com a intenção de permanecer por mais dias trabalhando. Em 15 de janeiro, Nilton entrou em contato pela última vez com a esposa por telefone e com outros pescadores, por meio de rádio.

A filha afirma que, apesar de o pai estar acostumado a passar mais de dez dias em alto-mar, ele nunca ficava mais de 24 horas sem dar notícias. Desde então, a comunicação com o barco foi perdida e a embarcação deixou de ser localizada pelo GPS, que era monitorado pela família.

No dia 8, eles retornaram para pegar mais material para se manterem por alguns dias e só voltariam no dia 21. Só que meu pai sempre mantinha contato, via rádio, com outros pescadores e também por celular. Ele falava todos os dias, nunca ficava 24 horas sem contato, detalhou Tatiana.

Destroços encontrados

A Defesa Civil de Maricá encontrou durante o fim de semana e nesta segunda-feira (26) destroços boiando no mar da cidade. Os materiais, que incluem pedaços de madeira, galões, uma garrafa de bebida alcoólica e um chinelo, foram apresentados à Marinha do Brasil.

A avaliação está em andamento para verificar se pertencem à embarcação Funelli, desaparecida desde a sexta-feira (16). A última localização da embarcação, segundo a Marinha, foi registrada 15 metros ao sul da praia de Ponta Negra.

Entenda o caso

Um barco com seis pescadores, entre eles cinco maranhenses, desapareceu na última quinta-feira (15) após sair do Rio de Janeiro. A embarcação, identificada como Funelli, havia partido de Niterói (RJ) no dia 3 de janeiro. Um inquérito foi instaurado para apurar as circunstâncias do desaparecimento.

Os tripulantes foram identificados como:

  • Nilton de Jesus Silva, de 66 anos
  • Raimundo Nonato Costa dos Santos Filho, de 45 anos
  • Sirlenildo da Silva, de 39 anos
  • Raimundo Nonato do Nascimento, de 65 anos
  • Juarez Cerejo da Silva, de 33 anos

O sexto tripulante, identificado apenas como Raimundo, estava há pouco tempo no grupo e ainda não teve o nome completo nem a naturalidade divulgados. Segundo familiares, a embarcação deveria ter retornado em 19 de janeiro, mas a última localização apontada pelo rastreador foi na região de Ponta Negra, em Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.