Idoso sobrevive a mil picadas de abelhas em Ponta Grossa e considera sobrevivência um milagre
Pedro Godim, um aposentado de 68 anos residente em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, passou por uma experiência traumática ao ser atacado por um enxame de abelhas enquanto realizava uma tarefa rotineira: cortar a grama do jardim de sua própria casa. O incidente, ocorrido no dia 5 de janeiro, resultou em aproximadamente mil picadas, levando o idoso a uma internação hospitalar de uma semana. Ele recebeu alta no dia 12, mas as marcas das ferroadas ainda são visíveis em seu corpo, conforme mostrado em reportagem da RPC, afiliada da TV Globo no estado.
O ataque e a reação imediata
Em entrevista, Pedro descreveu o momento do ataque: "Eu estava cortando a grama normalmente, como eu sempre faço. Esse enxame já estava há algum tempo ali; eu desci com a roçadeira e de repente elas me atacaram". Para se defender, ele tentou espantar os insetos jogando água, mas não conseguiu evitar as inúmeras picadas. Apesar da gravidade, ele chegou ao Hospital Universitário da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG) consciente, estável e sem sinais de choque, um fator crucial para sua recuperação.
Condição médica grave e internação
O grande volume de veneno inoculado pelas abelhas desencadeou uma condição séria conhecida como rabdomiólise. Segundo explicações do Ministério da Saúde, essa síndrome ocorre quando há lesão das células musculares esqueléticas, liberando substâncias na corrente sanguínea que podem sobrecarregar os rins, órgãos responsáveis pela filtragem do sangue. No caso de Pedro, isso exigiu cuidados intensivos da equipe de clínica médica, além de avaliação odontológica que identificou apenas lesões leves nos lábios, sem infecção.
Felizmente, sua evolução clínica foi favorável, permitindo a alta com orientações médicas e acompanhamento ambulatorial. Familiares destacaram que ele não é alérgico a ferrões, o que provavelmente contribuiu para sua sobrevivência, considerada por ele mesmo um milagre: "Graças a Deus [eu sobrevivi], eu creio que é um milagre", afirmou o aposentado.
Outras vítimas e contexto do incidente
Além de Pedro, duas sobrinhas também foram picadas durante o ataque: uma jovem de 25 anos, que sofreu cerca de 20 ferroadas, e uma bebê de 11 meses, que levou apenas uma picada. Ambas passam bem, sem complicações graves. Familiares relataram que o enxame habitava a calha da casa há anos, mas nunca havia causado problemas anteriores, tornando o episódio ainda mais surpreendente e inesperado.
Orientações para prevenção e primeiros socorros
O caso serve como alerta para os riscos associados a abelhas, especialmente em períodos de calor e florada, quando esses insetos tendem a ficar mais agitados e agressivos. O Corpo de Bombeiros do Paraná recomenda uma série de cuidados para evitar ataques:
- Evitar movimentos bruscos e ruídos altos próximos a colmeias, pois abelhas são atraídas por sons agudos.
- Examinar a área antes de usar equipamentos motorizados, como roçadeiras.
- Proteger pescoço e rosto com roupas em caso de aproximação de enxames.
- Em caso de picadas, lavar a região com água e sabão e remover ferrões com lâmina ou agulha, sem pressionar, para evitar liberação adicional de veneno.
- Procurar atendimento médico imediato se houver picadas na cabeça, pescoço, ou sintomas como inchaço grave e falta de ar.
Para situações críticas, como formação de colmeias em residências, é aconselhável acionar apicultores especializados ou, em emergências, o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também pode ser contactado pelo 192 em casos de reações severas.
Este incidente em Ponta Grossa reforça a importância da conscientização sobre a coexistência segura com a fauna urbana e os protocolos de segurança em atividades ao ar livre, destacando como até tarefas domésticas simples podem envolver riscos imprevistos.