Empresário preso por lavar dinheiro do tráfico com carros de luxo no ES
Empresário preso por lavagem de dinheiro do tráfico no ES

O empresário Adilson Ferreira, de 54 anos, foi preso na última sexta-feira (8) no aeroporto internacional de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai, suspeito de integrar uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Baest, que investiga o Primeiro Comando de Vitória (PCV).

Lavagem de dinheiro com laranjas e empresas de fachada

Segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Adilson é apontado como responsável por lavar dinheiro do tráfico utilizando contas de laranjas e empresas registradas em nomes de terceiros. Ele mantinha um padrão de vida incompatível com a renda declarada, com veículos de luxo como Porsche, BMW e Dodge Ram.

A defesa do empresário afirmou que foi surpreendida pela prisão preventiva e que as investigações demonstraram a ausência de participação dele com o tráfico, informando que recorrerá da decisão.

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Crimes imputados

Adilson foi denunciado por organização criminosa, lavagem de capitais, falsidade ideológica e agiotagem. Na mesma decisão, outros 13 suspeitos também foram denunciados pelo MPES.

Investigação na Polícia Federal

Além da Operação Baest, Ferreira é investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suposta conexão com o desembargador Macário Júdice Neto em um caso de interferência em licitação no Espírito Santo. Segundo inquérito da Polícia Federal, Macário teria atuado para favorecer Adilson, dono da Unique Serviços e Transporte Ltda., que disputava um contrato de R$ 10,5 milhões para fornecimento de climatizadores à Secretaria de Estado da Educação (Sedu). A empresa venceu a concorrência, mas foi desclassificada por inconsistência técnica. O empresário recorreu, mas a exclusão foi mantida pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

Os advogados do desembargador Macário Júdice Neto negam as acusações e afirmam que “refutam as ilações emitidas pelos investigadores” e que “no tempo devido a verdade prevalecerá”.

Atentado em 2026

Em março de 2026, Adilson sofreu um atentado ao chegar em casa, na Serra, Grande Vitória. Sua caminhonete foi atingida por pelo menos quatro disparos. O empresário não foi ferido, pois simulou ter sido baleado para escapar, segundo seu advogado.

Padrão de vida incompatível

As investigações desde 2023 apontam que Adilson e comparsas compravam armas e drogas na fronteira com o Paraguai. O grupo recebia grandes quantias e as distribuía em contas menores. Para o MPES, o empresário tem “padrão de vida e movimentação financeira absolutamente incompatíveis com recursos lícitos conhecidos”. A lavagem de dinheiro era feita com ao menos sete empresas sob seu controle, registradas em nomes de terceiros. A ilegalidade era disfarçada com compra de imóveis e carros de luxo, como dois Porsche, uma BMW XDrive, uma Mitsubishi Pajero Sport, um Jeep Outlander e uma Dodge Ram.

A denúncia cita que Adilson prestava serviços de lavagem de capitais para Tiago Cândido Viana (o “Baé”), preso em 2021, suspeito de integrar o Primeiro Comando de Vitória (PCV) e fornecer drogas e armas para a facção.

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