O Aeromóvel, sistema de monotrilho que vai conectar os terminais do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, à Estação Aeroporto-Guarulhos da Linha 13-Jade da CPTM, teve um incidente durante a fase de testes na noite de quinta-feira, 15 de agosto. O veículo parou no meio da via elevada, obrigando os passageiros – todos funcionários do aeroporto – a desembarcarem e seguirem a pé sobre os trilhos, sob orientação de seguranças.
Incidente durante fase de testes
Imagens que circularam nas redes sociais mostraram o momento em que os passageiros eram conduzidos para fora do veículo. Os rostos dos funcionários já estavam borrados nas fotos divulgadas. O consórcio AeroGru, responsável pela operação do trecho, foi quem coordenou a evacuação.
Em nota, a concessionária explicou o ocorrido. Segundo a empresa, o episódio foi uma parada de segurança realizada sobre um desvio de mudança de via, provocada pela forte chuva da noite. A AeroGru afirmou que não houve descarrilamento e que todos os passageiros foram desembarcados com segurança.
Histórico de adiamentos e pendências
O sistema, que começou a operar em fase de testes restrita no dia 4 de dezembro de 2023, acumula uma série de atrasos. O lançamento oficial para o público já passou por pelo menos quatro adiamentos. A entrega inicial estava prevista para fevereiro de 2024, mas o cronograma já acumula quase dois anos de atraso.
Em vistoria realizada no início de outubro, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontou que os sistemas de automação, controle e operação do trem não estavam concluídos, o que impede a liberação para funcionamento pleno. A agência informou que estuda aplicar sanções devido à demora nas obras e às pendências técnicas, e deve cobrar um novo cronograma de entrega.
Enquanto isso, os passageiros que desembarcam na Estação Aeroporto-Guarulhos da CPTM continuam dependendo de um serviço de ônibus, que opera de forma provisória desde a inauguração da estação, em 2018.
Características e tecnologia do Aeromóvel
O projeto do monotrilho, anunciado em 2019 e também chamado de "People Mover", tem 2.700 metros de extensão e foi alvo de questionamentos pelo Tribunal de Contas da União (TCU). As obras chegaram a ser paralisadas em setembro de 2021 e só foram retomadas no ano seguinte, após a aprovação do tribunal.
O sistema utiliza tecnologia de propulsão pneumática. Ventiladores de alta eficiência pressurizam o ar no interior da via elevada, que empurra ou puxa uma placa de propulsão fixa ao veículo. A primeira composição do monotrilho foi entregue no aeroporto em março de 2024.
Os veículos são projetados para acomodar até 200 passageiros cada e possuem menos assentos que um trem convencional, priorizando espaço para bagagens, já que o itinerário entre a CPTM e os terminais é curto.
Em comunicado, o Consórcio AeroGru afirmou que o sistema já passou por mais de 15 mil testes e encontra-se funcional. A operação está sendo iniciada de forma faseada, com ampliação progressiva da capacidade até atingir a operação plena, seguindo as melhores práticas internacionais para aeroportos de grande porte.