Funcionários e pais acampam em Pilar do Sul por transporte público precário
Acampamento em Pilar do Sul por transporte público precário

Acampamento em frente à prefeitura de Pilar do Sul exige mudanças no transporte público

Um grupo formado por funcionários da empresa responsável pelo transporte público de Pilar do Sul (SP) e pais de alunos que utilizam os ônibus escolares está acampado em frente à prefeitura municipal desde quinta-feira (26). A manifestação, que já ultrapassa 24 horas de duração, tem como principal demanda a substituição da empresa que administra as linhas municipais, segundo apuração da TV TEM.

Denúncias de condições precárias e jornadas exaustivas

Os funcionários participantes do protesto relatam situações alarmantes no ambiente de trabalho. Eles denunciam jornadas que ultrapassam 15 horas diárias, além de supostas irregularidades contratuais e ameaças por parte da empresa. As condições dos ônibus e do pátio onde os veículos ficam estacionados também são descritas como precárias.

Os pais de alunos que utilizam o transporte escolar expressam preocupação com a segurança dos filhos devido ao estado de conservação dos veículos. Eles afirmam temer pela integridade física das crianças durante os trajetos diários.

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Operação do Ministério do Trabalho e irregularidades graves

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) interditou temporariamente a empresa Viação Estevam em 12 de fevereiro durante uma operação realizada após denúncia protocolada no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH), com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Um documento de 74 páginas resultante da fiscalização aponta:

  • Maus-tratos contra funcionários
  • Assédio moral no ambiente de trabalho
  • Casos de tortura psicológica
  • Violência sexual e assédio
  • Proibição de denúncias ao sindicato

Segundo o MTE, a empresa recebeu 21 autuações, e as irregularidades nas áreas de segurança, condições de trabalho, manutenção, proteção e saúde colocavam em risco os 59 funcionários e os passageiros. A fiscalização também constatou falha no controle de risco e manutenção, situação que poderia causar acidentes graves.

Retorno da empresa após polêmica com imagem de IA

Apesar da interdição, a empresa voltou a operar em 20 de fevereiro após alegar que uma das imagens anexadas ao processo havia sido gerada por inteligência artificial. A fotografia em questão mostrava um bode e uma cabrita dentro de um ônibus, sendo classificada como "situação vexatória" no relatório do auditor-chefe regional do MTE, Ubiratan Vieira.

Em 19 de fevereiro, a Justiça determinou que a viação retomasse as operações após aceitar um recurso e decretar tutela de urgência. O documento judicial afirma que "a referida fotografia utilizada como elemento de convicção pelo auditor fiscal não retrata a realidade e trata-se, na verdade, de imagem gerada por IA".

Manifestantes permanecem firmes em suas reivindicações

O grupo de manifestantes informou à reportagem que permanecerá no local até que a prefeitura se posicione sobre o pedido de troca da empresa. Junto aos manifestantes, há representantes do Sindicato dos Rodoviários de Sorocaba (SP), que ficam no local durante o período da noite em solidariedade à causa.

A TV TEM entrou em contato com a Prefeitura de Pilar do Sul e com o sindicato, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O g1 também procurou a Viação Estevam e aguarda posicionamento.

Condições específicas do embargo

Enquanto durar o embargo, que deve permanecer até que as irregularidades sejam solucionadas, a empresa não poderá:

  1. Liberar ônibus em situação de irregularidade
  2. Fazer manutenções sem a segurança devida
  3. Expor trabalhadores a jornadas exaustivas diárias
  4. Utilizar veículos sem segurança comprovada

A fiscalização também apontou que a garagem dos ônibus funciona em local proibido pelo zoneamento urbano. Em caso de descumprimento do embargo, a empresa pode sofrer sanções administrativas.

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Depoimentos revelam violações graves

Na denúncia enviada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, funcionários relataram que os veículos circulam em condições precárias, sem freios, cintos de segurança e assentos para idosos, além de apresentarem falhas mecânicas frequentes. Segundo o ministério, os depoimentos indicam graves violações à dignidade humana, como tortura psicológica, violação da integridade física e negligência.

O auditor Ubiratan Vieira afirmou à TV TEM que não foi notificado sobre a situação judicial e que a fiscalização do MTE segue em andamento. Ele também alegou que o serviço de transporte público está sob responsabilidade de uma nova empresa e que deve continuar desta forma.

A decisão judicial que permitiu o retorno da empresa não impede que o Ministério do Trabalho e Emprego continue a fiscalização. A empresa deverá manter o cumprimento das normas de segurança e trabalho, garantindo a integridade física dos funcionários. Os réus no processo têm prazo de 20 dias para apresentar defesa.