Moradores de Campinas criam sistema online para monitorar trem que bloqueia via por horas
Sistema online monitora trem que bloqueia via em Campinas

Moradores de Campinas criam sistema online para monitorar trem que bloqueia via por horas

Moradores da Vila Chico Amaral, em Campinas, no interior de São Paulo, desenvolveram uma solução criativa para um problema crônico que afeta o bairro há anos: o bloqueio prolongado de uma passagem de nível por trens de carga. A situação, que se repete diariamente, causa transtornos significativos para motoristas, pedestres e usuários do transporte público, isolando a comunidade e gerando riscos à segurança.

Problema histórico e impacto no trânsito

A via bloqueada serve como uma alternativa crucial para motoristas que buscam evitar o trânsito intenso da Rodovia Campinas–Monte Mor. Quando o trem fica parado na passagem de nível, a única opção é um desvio de quase quatro quilômetros por estradas em condições precárias, aumentando o tempo de viagem e o desgaste dos veículos. De acordo com relatos, na última segunda-feira, 2 de setembro, um trem permaneceu no local das 6h às 17h30, exemplificando a gravidade do problema.

Jonatan Silva, técnico de telecomunicações e morador do bairro, descreve a situação como recorrente: "É todo dia. Desde de manhã ele fica aí. De manhã, de tarde, mais de duas horas. À noite, fica até umas 11 horas quase parado". A pintora Juliana Costa reforça que muitos, especialmente quem não conhece a região, acabam esperando inutilmente pela liberação da linha férrea, perdendo tempo valioso.

Solução inovadora: câmera ao vivo no YouTube

Para contornar esses transtornos, os moradores instalaram uma câmera em uma residência local que transmite imagens ao vivo da linha férrea pela internet, disponível no YouTube. Esse sistema permite que os usuários verifiquem remotamente se há trem parado antes de decidirem pelo trajeto, evitando deslocamentos desnecessários. Jonatan Silva explica a utilidade da iniciativa: "Subimos no YouTube para não perder tempo vindo até aqui e tendo que voltar. Já teve situação de socorro de hospital, de madrugada, em que o trem estava parado e tivemos que dar meia-volta".

Impacto no transporte público e na comunidade

O bloqueio também afeta diretamente o transporte coletivo. A linha de ônibus 254 precisa realizar desvios quando a passagem está fechada, forçando passageiros a descerem antes do bloqueio, atravessarem a pé a linha férrea e tentarem pegar outro ônibus do outro lado. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) afirmou estar ciente do problema e que o desvio é feito periodicamente a cada 10 ou 15 dias durante os horários de parada dos vagões. A situação já foi reportada à concessionária Rumo, responsável pela administração do trem.

Além disso, estudantes da Escola Municipal João Alves dos Santos, localizada nas proximidades, enfrentam dificuldades diárias. Quando o trem bloqueia a via, alguns alunos se arriscam passando entre os vagões ou são obrigados a fazer caminhos muito mais longos para chegar em casa, comprometendo sua segurança e pontualidade. O problema não é novo: em 2023, imagens já mostravam moradores atravessando por baixo dos vagões, evidenciando os perigos envolvidos.

Reclamações e falta de resposta oficial

Vilson Pontes, técnico de manutenção e morador do bairro há quase 30 anos, expressa a frustração da comunidade: "É a vida de todo mundo que fica travada. O ônibus para, volta, o bairro fica isolado por causa do trem". A EPTV, afiliada da TV Globo, questionou a concessionária Rumo sobre o bloqueio, mas até o momento da publicação desta reportagem, a empresa não se manifestou, deixando os moradores sem uma solução definitiva para um problema que persiste e afeta a qualidade de vida no bairro.