O Amazonas enfrenta um déficit habitacional de 120 mil moradias, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação João Pinheiro. A maior carência está concentrada em Manaus, onde milhares de famílias ainda aguardam acesso à casa própria.
Histórico de luta pela moradia
A diarista Silvana Feitoza é um exemplo dessa realidade. Após anos morando de aluguel, ela visitou o apartamento onde deve morar ainda neste semestre, em um condomínio na Zona Oeste de Manaus. "Ele está arrumado do jeito que eu imaginei aqui na minha cabeça como vai ficar o meu", disse. Antes de conseguir a vaga no programa habitacional do município, Silvana pagava R$ 400 por mês de aluguel e chegou a ser vítima de um golpe imobiliário.
Dados do déficit
De acordo com o levantamento, o estado enfrenta déficit de 120 mil moradias. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) informou que cerca de 180 mil pessoas estão cadastradas à espera de uma oportunidade de moradia. A previsão do governo estadual é entregar 1,5 mil casas e apartamentos até o primeiro semestre de 2027, com prioridade para grupos vulneráveis, como mães solo e famílias em áreas de risco.
O diretor-presidente da Superintendência Estadual de Habitação do Amazonas (Suhab), Jivago Afonso, afirmou que o governo oferece subsídio para financiamento de imóveis. "Entramos com subsídio por financiamento da Caixa, um aporte de até 35 mil reais", explicou.
Manaus concentra maior demanda
Em Manaus, o déficit habitacional é estimado em 105 mil moradias. A prefeitura prevê entregar 1,5 mil unidades habitacionais ainda neste ano para famílias cadastradas em programas sociais. Segundo o secretário municipal de Habitação e Assuntos Fundiários, Junior Nunes, parte das unidades será destinada a grupos prioritários. "Temos cota para indígenas, mães solos, vulnerabilidade social", afirmou.
Desafios e soluções
Para especialistas, o déficit habitacional no Amazonas é resultado de um problema histórico e dos altos custos da construção civil na Região Norte. O presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM), Henrique Medina, afirmou que construir no estado custa mais caro. "Na Região Norte o custo da construção é maior, temos a segunda mão de obra mais cara", disse.
O sociólogo Raimundo Nonato da Silva defende que o problema pode ser reduzido com planejamento contínuo e investimentos públicos. "Tem que saber quanto será necessário para a construção de habitações e dar continuidade no projeto independentemente de quem entra ou sai do poder", afirmou.
Enquanto aguarda a entrega do novo apartamento, Silvana já imagina a nova fase da vida. "Não vejo a hora, ter um lugar para receber minha família", disse.



