Velório coletivo em Alagoas homenageia vítimas de tragédia com ônibus de romeiros
Os corpos de cinco vítimas do acidente envolvendo um ônibus de romeiros estão sendo velados coletivamente nesta quarta-feira (4) em um ginásio poliesportivo da cidade de Coité do Nóia, no interior de Alagoas. A cerimônia reúne familiares e amigos em um momento de luto e solidariedade após a tragédia que chocou a comunidade local e ganhou repercussão nacional.
Detalhes do acidente e irregularidades no transporte
O ônibus, com cerca de 60 passageiros, havia saído de Juazeiro do Norte, no Ceará, e retornava para Coité do Nóia, de onde partiu a romaria ao santuário de Padre Cícero. O acidente ocorreu por volta das 4h40 da terça-feira (3), na chamada curva do S, um trecho considerado perigoso e com histórico de acidentes. Segundo a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), o veículo trafegava irregularmente por não possuir os registros e autorizações necessárias, levantando questões sobre a fiscalização do transporte de passageiros.
Em contrapartida, a prefeitura de Coité do Nóia afirma que o serviço foi contratado por licitação e que a documentação passou por verificação prévia. O prefeito Bueno Higino destacou que todos os ônibus enviados para a romaria eram novos, equipados com ar-condicionado, televisão e banheiro, buscando garantir conforto e segurança aos romeiros, que somavam cerca de 800 pessoas.
Cenário de terror e consequências da tragédia
Testemunhas relataram uma cena de horror, com o ônibus capotando e saindo da pista, chegando a pegar fogo parcialmente. Paulo Roberto, assessor de comunicação da prefeitura que estava em outro ônibus do grupo, descreveu: A gente só veio ver o ônibus quando já estava acontecendo o fato. Vimos pessoas voando, gritando. Ele acrescentou que a visibilidade era boa no momento, sem neblina, apenas escuro devido ao horário noturno.
O Instituto de Criminalística de Arapiraca concluiu a perícia no local e apontou que o ônibus caiu de uma ribanceira com mais de cinco metros de altura. A gestão estadual informou que não foram identificados sinais de frenagem antes da saída da pista, sugerindo uma possível falha mecânica ou humana. Quinze vítimas morreram no local, e uma criança de 4 anos faleceu posteriormente no hospital, totalizando 16 óbitos.
Vítimas e situação dos feridos
No velório coletivo, estão sendo homenageados Luiz Miguel de Alcântara, 4 anos; José Caio de Oliveira Souza, 15 anos; Adelmo José de Oliveira, 52 anos; Sebastião Vieira de Moraes Neto, 55 anos; e Josefa Madalena de Alcântara, 67 anos. A lista completa de vítimas identificadas pelo governo de Alagoas inclui outras 11 pessoas, como crianças, aposentados e agricultores, refletindo o perfil diverso dos romeiros.
Entre os feridos, uma criança de 9 anos está em estado grave, com traumatismo cranioencefálico, entubada e internada no Hospital Geral do Estado em Maceió. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) continua prestando assistência, enquanto a prefeitura trabalha para mapear os feridos, muitos dos quais deram entrada nos hospitais sem documentação, complicando a identificação e o apoio às famílias.
Esta tragédia ressalta a importância da segurança no transporte rodoviário, especialmente em rotas utilizadas por romarias, e levanta debates sobre a fiscalização de veículos irregulares. A comunidade de Coité do Nóia e regiões vizinhas se unem em apoio às famílias enlutadas, enquanto investigações prosseguem para esclarecer as causas exatas do acidente.



