Torcedor do Santos morre atropelado por caminhão da PM no estádio do Corinthians
Torcedor do Santos atropelado por caminhão da PM morre em São Paulo

Torcedor do Santos morre atropelado por caminhão da PM no estádio do Corinthians

Um trágico acidente resultou na morte de um torcedor do Santos FC no estacionamento do estádio do Corinthians, a Neo Química Arena, em São Paulo. Alex Nunes Pinheiro do Carmo, de 37 anos, foi atropelado por um caminhão blindado da Tropa de Choque da Polícia Militar na tarde de domingo (25), durante a partida entre Santos e Bragantino pelo Campeonato Paulista.

O homem, que vivia em situação de rua e era Pessoa com Deficiência (PCD), faleceu no local do ocorrido. A irmã dele, Luciana Calixto Nunes, de 44 anos, relatou ao g1 que a família está em estado de choque com a perda inesperada. "Nunca achamos que algo desse tipo poderia acontecer com ele. Sempre ficávamos apreensivos com ele na rua, mas sempre acreditando que Deus estava com ele. Nunca achamos que o fim dele seria assim tão triste", lamentou.

Quem era Alex Nunes Pinheiro do Carmo?

Conhecido como "Acarajé", Alex era uma figura carimbada nos jogos do Santos FC. De acordo com sua irmã, ele foi jogador de futebol de várzea e trabalhou como ajudante de pedreiro antes de passar a viver nas ruas. A decisão de sair de casa teria sido motivada por um sentimento de culpa pelo desaparecimento da mãe em 2014, quando ela estava sob seus cuidados e nunca mais foi encontrada.

Por aproximadamente quatro anos, Alex morou na rua em frente à Vila Belmiro, estádio do Santos. A família mantinha contato com ele através de redes sociais e integrantes da torcida organizada. "Sempre foi um bom irmão. Ele ficou muito fanático pelo Santos a ponto de querer ir em tudo. Em todos os jogos, ele estava na concentração, no ginásio", afirmou Luciana.

Em 2018, ele retornou a morar com a família após sofrer um grave acidente em Campinas, onde caiu de um telhado enquanto estava alcoolizado. Os médicos previram que ele não andaria mais, mas Alex recuperou alguns movimentos, passando a usar muleta. Apesar disso, voltou às ruas após conseguir a aposentadoria, usando o dinheiro para drogas, segundo a irmã.

Detalhes do atropelamento

O atropelamento ocorreu em frente ao portão "O" do estádio, acesso geralmente utilizado por torcidas organizadas. Informações apuradas pela TV Globo indicam que o caminhão da PM estava no local para acompanhar os torcedores e precisou realizar uma manobra durante o jogo.

O policial que dirigia a viatura não percebeu a presença de Alex, que estava a cerca de dois metros da parte dianteira do veículo. Devido à altura do caminhão – cerca de 3 metros do chão –, o torcedor ficou em um ponto cego, impossibilitando a visualização pelo condutor. O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor.

Família busca respostas

Luciana soube da morte do irmão através de um integrante da torcida organizada do Santos. Ela destacou que a família não recebeu apoio dos times ou da polícia e busca esclarecimentos sobre o ocorrido. "A gente gostaria de ter acesso às câmeras, se realmente foi em um ponto cego, se realmente ele [policial] não viu o meu irmão [...], ver o que realmente aconteceu porque o meu irmão era uma pessoa conhecida do Santos, uma pessoa já carimbada, que estava sempre ali nos jogos", explicou.

A Neo Química Arena emitiu uma nota lamentando a morte de Alex e informou que encaminhou as imagens das câmeras de monitoramento à Polícia Militar. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) também se manifestou, afirmando que os laudos serão analisados para as devidas providências assim que finalizados.

Equipes da Polícia Civil e do Instituto Médico Legal (IML) estiveram no local para apurar os fatos. A tragédia levanta questões sobre segurança em eventos esportivos e a vulnerabilidade de pessoas em situação de rua, especialmente aquelas com deficiência.