Técnico do Águia de Marabá morre após acidente na BR-153; família autoriza doação de órgãos
A tragédia que abalou o futebol paraense ganhou um capítulo ainda mais doloroso nesta semana. Ronan Tyezer Rodrigues, técnico de 45 anos do Águia de Marabá, faleceu após oito dias internado no Hospital Regional de Gurupi, no Tocantins. A causa da morte foi um trauma crânioencefálico sofrido no acidente que envolveu o ônibus do time na BR-153, no dia 15 de janeiro de 2026.
Última conversa e mudança de planos
Em entrevista exclusiva, o irmão de Ronan, Juliezer Rodrigues, que mora no Canadá há mais de 20 anos, revelou detalhes emocionantes sobre as horas que antecederam o acidente. "Uma hora antes de acontecer o acidente, ele me ligou, parece que foi até para se despedir", contou Juliezer, visivelmente abalado.
O técnico havia programado inicialmente pegar um avião para visitar a mãe em Minas Gerais após a participação do time na Copinha 2026. Porém, compromissos profissionais o fizeram mudar de planos. "O presidente falou que vai fazer uma homenagem para o time, para nós, quando a gente chegar lá pela campanha, então eu tenho que estar lá, né? Eu sou treinador", explicou Ronan ao irmão, segundo o relato.
Detalhes do acidente e investigações
O acidente ocorreu no trecho da rodovia que passa por Santa Rita do Tocantins, quando o ônibus que transportava a equipe sub-20 e a comissão técnica bateu na traseira de um caminhão parado no acostamento. O veículo havia saído de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, com destino ao Pará, após percorrer quase dois mil quilômetros.
Conforme a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins, o motorista do caminhão afirmou que estava parado devido a um defeito no veículo e que realizou a sinalização da pista. Entretanto, o Águia de Marabá contestou essa versão em nota oficial, afirmando que não havia sinalização adequada no local do acidente.
As investigações estão sendo conduzidas pela 74ª Delegacia de Polícia de Brejinho de Nazaré, e os motoristas envolvidos já prestaram depoimento espontaneamente.
Legado familiar e doação de órgãos
A paixão pelo futebol era uma tradição familiar. Ronan iniciou sua carreira aos 15 anos, jogou pelo Atlético Goianiense e, após se aposentar devido a uma lesão no joelho, foi convidado a treinar o recém-criado Águia de Marabá. Seu filho de 18 anos, que também integrava o time, estava no ônibus durante o acidente e ajudou a resgatar o pai das ferragens.
Em um gesto de extrema generosidade, a família autorizou a doação dos órgãos de Ronan. O corpo permanecerá no hospital por mais 72 horas para a realização dos procedimentos necessários, que devem beneficiar aproximadamente oito pessoas. Em nota, o Águia de Marabá classificou a decisão como "um gesto de extrema generosidade e amor ao próximo".
Contexto da viagem e outras vítimas
O time retornava da participação na Copinha 2026, onde havia feito campanha histórica, classificando-se pela primeira vez para a segunda fase do torneio, sendo eliminado apenas nos pênaltis pelo Juventude-RS.
Além de Ronan, o acidente vitimou fatalmente Hecton Alves, que morreu no local. Outros três ocupantes do ônibus - Ramon Nilton Vieira (31 anos), Renye Silva Farias (41 anos) e uma criança de 11 anos - já receberam alta hospitalar.
O corpo do técnico será transportado para Marabá, no Pará, com previsão de chegada na segunda-feira, 26 de janeiro, onde receberá as últimas homenagens da comunidade esportiva que tanto admirava seu trabalho.