Motos por app em Fortaleza: riscos, direitos e a luta dos motociclistas
Motos por app em Fortaleza: riscos e busca por direitos

O serviço de motocicletas por aplicativo em Fortaleza tem se consolidado como uma opção de transporte rápida e econômica, atraindo cada vez mais passageiros. No entanto, a expansão traz à tona preocupações com a segurança e a necessidade de direitos trabalhistas para os motociclistas. Disponível há cinco anos na capital cearense, a modalidade ganha adeptos diariamente, enquanto a cidade se adapta às mudanças e os profissionais lutam por melhores condições.

Expansão e números

O transporte por aplicativo começou em Fortaleza em abril de 2016, com a chegada da Uber na modalidade UberX. Em 2017, a 99 também iniciou operações com carros. O serviço de motos foi lançado pela Uber em 2021 e, no ano seguinte, pela 99. De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE), o número de motocicletas na capital cresceu 25% entre 2021 e 2025. O g1 solicitou dados específicos sobre motociclistas de aplicativo à Uber, 99 e Etufor, mas não obteve resposta até a publicação.

Atração de passageiros

A assistente administrativa Paloma Bezerra é uma das clientes fiéis. Ela usa o serviço há dois anos e comprou seu próprio capacete devido à frequência das corridas. "Para mim, a moto é mais acessível. Uso para consultas médicas, trabalho e lazer", conta. O diretor de operações da 99, Fabrício Ribeiro, destaca Fortaleza como uma das maiores cidades de moto do Brasil. "Muitas mulheres usam à noite para trajetos curtos, como da estação de metrô até casa, por segurança", explica.

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Paloma reconhece o receio de situações desconfortáveis, mas nunca sofreu assédio. A Uber informou medidas de segurança, como selfie de capacete e alerta de velocidade, além de checagens criminais periódicas.

Desafios dos motociclistas

Marques Barbosa dos Santos, 39 anos, trocou o carro pela moto em janeiro de 2026 devido aos altos custos de manutenção. Ele reclama da desvalorização do quilômetro rodado: "A média diária é R$ 250 a R$ 270, trabalhando 12 horas. Antes, com carro, era R$ 400". Marques prefere transporte de pessoas e evita passageiros apressados.

Douglas Sousa Silva, presidente da Associação dos Trabalhadores por Aplicativo de Fortaleza (ATAF), também trocou o carro pela moto. Ele aponta lucro menor: "Cerca de 80 centavos por km. De cada R$ 100 brutos, R$ 70 ficam no bolso". Para ganhar R$ 100, trabalha cerca de 4 horas. Apesar disso, valoriza a liberdade de horários.

Acidentes e segurança

O número de acidentes com motos preocupa. Entre janeiro e março de 2026, o Instituto Dr. José Frota (IJF) registrou mais de 2.100 atendimentos a vítimas de acidentes com moto. Em 2025, foram mais de 8.200. Douglas afirma que muitos passageiros não sabem se comportar na garupa, aumentando os riscos. "A plataforma precisa instruir os passageiros para evitar acidentes", cobra.

Ele também critica o sistema de avaliação: "Uma nota baixa desestimula o trabalhador, que já tem que se preocupar com o trânsito e o passageiro".

Regulamentação municipal

Em dezembro de 2025, Fortaleza aprovou leis que regulamentam o serviço de motos por app. As regras incluem desconto de 50% no IPVA para motociclistas regulares, proibição de motos com menos de 125 cilindradas para transporte de passageiros e prazo de 18 meses para adequação. O presidente da Etufor, George Dantas, explica que a cilindrada mínima garante capacidade de carga para 160 kg (condutor e passageiro).

A Prefeitura também criou a "Paradinha", espaço para motociclistas, e faixas exclusivas para motos em avenidas como Humberto Monte e Santos Dumont. A ATAF afirma que essas iniciativas foram propostas pela categoria.

Projeto de lei federal

Em abril de 2026, um projeto de lei que regulamentaria a atividade de entregadores foi retirado de pauta na Câmara após protestos. A proposta previa valor mínimo por corrida e contribuição previdenciária. Douglas defende uma regulamentação com tarifa justa e reajuste anual. "O motociclista quer liberdade e bom salário. O que as plataformas pagam é pouco diante da responsabilidade de transportar uma vida", conclui.

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