Tragédia na Rondon Pacheco: motorista bêbado causa morte de mulher em acidente
A alegria e força que marcavam a vida de Ruth Jesuíno da Silva, de 57 anos, foram interrompidas brutalmente no domingo (12), em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A mulher, conhecida pela família como pessoa divertida e brincalhona, morreu após ser atingida por um carro desgovernado conduzido por Wendel de Souza Julião, de 23 anos, que apresentava sinais visíveis de embriaguez.
O momento do acidente
O trágico episódio ocorreu por volta das 22h50 na avenida Rondon Pacheco, uma das principais vias da cidade. Segundo relatos da Polícia Militar, o motorista realizou uma ultrapassagem em alta velocidade, perdeu o controle do veículo, atravessou a pista e atingiu uma motocicleta e um carro Gol que estavam estacionados.
Na motocicleta estava Ruth, que seguia na garupa do filho de 33 anos. Com o impacto violento, ela foi arremessada por aproximadamente três metros, sofrendo ferimentos gravíssimos que levaram à sua morte mesmo após receber socorro. O filho, que pilotava a moto, sofreu fraturas graves no rosto e foi transferido para o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), onde permanece internado em estado grave.
A confissão do motorista
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que o motorista preso admite ter ingerido bebida alcoólica antes do acidente fatal. Nas imagens, o jovem de 23 anos aparece sendo conduzido por um militar do Corpo de Bombeiros até a viatura policial. Questionado por uma testemunha sobre o ocorrido, ele nega ter participado de racha, mas confessa claramente: "eu bebi, eu bebi".
De acordo com a Polícia Militar, Wendel apresentava sinais evidentes de embriaguez, mas se recusou a realizar o teste do bafômetro. Ele foi contido por testemunhas no local e preso em flagrante delito.
Indignação familiar e cobrança por justiça
A família de Ruth expressa profunda dor e indignação com a tragédia. Wellington Gouveia, sobrinho da vítima, resume o sentimento coletivo: "Quando se falava em vida, se falava nela". Ele descreve a tia como uma pessoa que, mesmo enfrentando dificuldades, sempre oferecia palavras fortes aos familiares - era irmã, conselheira e amiga.
A sobrinha Misses Frances foi ainda mais enfática em sua crítica: "O motorista assumiu o risco, não foi fatalidade, não foi acaso, foi consequência direta da irresponsabilidade, que matou a minha tia". Em entrevista à TV Integração, Wellington cobrou punição severa: "Um cara que toma uma decisão de tomar uma bebida e ir para uma avenida tão movimentada quanto essa, e assassinar uma pessoa para mim é um monstro. Não tem outra explicação. Eu espero de verdade que ele pague por isso".
Contexto familiar e situação financeira
Ruth Jesuíno da Silva deixou três filhos e quatro netos, aos quais se dedicava intensamente. Segundo relatos familiares, a família passava por um momento de dificuldade financeira, e Ruth trabalhava dobrado para ajudar o filho desempregado e os netos que foram morar com ela.
Na noite do acidente, mãe e filho seguiam para buscar uma chave com a chefe de Ruth, dona de uma pizzaria na avenida Rondon Pacheco, onde a vítima também trabalhava. A chave era da casa da patroa, onde Ruth faria uma faxina no dia seguinte.
Condição do filho e procedimentos legais
O filho de Ruth passou por uma cirurgia de reconstrução do maxilar e nariz na tarde de segunda-feira (13). Os médicos avaliam que, se houver uma boa recuperação até terça-feira, ele poderá ser liberado temporariamente para participar do sepultamento da mãe.
O delegado Alysson Macedo informou que o motorista será indiciado por homicídio doloso, quando há intenção de matar ou de assumir o risco de produzir a morte. Em nota, o advogado de Wendel informou que, em respeito a todos os envolvidos, a defesa não se manifestará publicamente sobre o ocorrido, tratando todas as informações exclusivamente nos autos do processo.
Velório e sepultamento
O velório de Ruth Jesuíno da Silva aconteceu na segunda-feira (13), a partir das 16h, na Funerária Ângelo Cunha. O sepultamento está marcado para terça-feira (14), às 10h, no Cemitério Bom Pastor, em Uberlândia.
A tragédia serve como mais um alerta sobre os perigos da combinação entre álcool e direção, com consequências devastadoras para famílias inteiras. Enquanto a família chora a perda de uma mulher descrita como "maravilhosa, honesta e batalhadora", as autoridades seguem com as investigações para que a justiça seja feita.



