O fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos, encontrado morto no último sábado (23) na Zona Leste de São Paulo, havia feito um desabafo seis meses antes sobre como o uso de substâncias anabolizantes poderia encurtar sua vida. A morte do atleta é investigada como suspeita pelo 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), após a perícia técnica apreender diversos medicamentos com indícios de hormônios no imóvel onde ele morava.
Reflexão sobre os riscos
Durante participação no podcast Flow, em 27 de outubro de 2025, Ganley refletiu sobre os efeitos colaterais de longo prazo do uso de hormônios sintéticos. No episódio intitulado "A nova era do fisiculturismo", ele afirmou ter plena consciência de que a escolha de deixar de ser "natural" reduziria drasticamente sua expectativa de vida. A transição para a nova rotina de treinos e substâncias começou em julho daquele ano.
Ao ser questionado pelo apresentador Igor Coelho sobre os efeitos negativos, o jovem minimizou os danos estéticos e destacou complicações severas em órgãos vitais: "Acham que é só tomar [bomba], e não é. O maior efeito negativo é a longo prazo. É problema de coração, de fígado. O verdadeiro B.O. é você saber que está encurtando 10 anos da sua vida. Eu tenho essa consciência. Eu sei que eu quero seguir uma carreira que vai encurtar [a minha vida] em 10, 15 anos."
Repercussão nas redes
Após a confirmação da morte, seguidores resgataram o trecho da entrevista nas redes sociais. No X (antigo Twitter) e no Instagram, internautas lamentaram o ocorrido e demonstraram forte comoção com as declarações dadas por ele meses antes.
Sonho de ser pai
Durante o relato, Ganley detalhou que a decisão de iniciar os ciclos hormonais aos 22 anos exigiu ponderação, especialmente ao projetar seus objetivos pessoais e o desejo de construir uma família. "Você tomar essa decisão com 22 anos é 'embaçado'. Às vezes eu penso: eu tenho o sonho de ser pai, será que quando eu tiver meu filho e minha filha, vou ver menos 15 anos do meu filho crescer? Botei tudo num papel e falei: vou fazer. Mas foi uma reflexão muito profunda", desabafou.
Ele também mencionou as reações dermatológicas iniciais: "Cabelo não caiu nada. Mas espinha... eu tinha a pele lisinha. Começou a crescer espinha. Vou começar a fazer as paradas de creminho. Antes eu cagava. Estou cuidando do corpo, tenho que cuidar da cara também."
Pressão da mídia
Ganley apontou o impacto da cobrança do público e das redes sociais após assumir publicamente a transição em sua carreira. Segundo ele, a cobrança por resultados imediatos operava em velocidade diferente da resposta biológica do corpo. "Midiaticamente falando, fui para o final da fila. A pressão [da mídia] ficou maior. As pessoas dizem: 'Agora você está tomando bomba, tá ligado? Tem que estar igual ao Ramon [Dino] semana que vem'. Isso tudo era um preço que eu já sabia que eu ia ter que pagar."
A polícia continua as investigações para esclarecer as causas da morte do atleta.



