Embriaguez ao volante cresce 36% em Piracicaba e 22% em Limeira em 2025, aponta levantamento
Embriaguez ao volante aumenta em cidades de SP em 2025

Embriaguez ao volante cresce em cidades paulistas em 2025, apesar de legislação mais rigorosa

Um levantamento realizado pela EPTV, afiliada da TV Globo, com base em boletins de ocorrência obtidos via Lei de Acesso à Informação, revela um cenário preocupante: cinco cidades da região registraram 269 ocorrências por embriaguez ao volante em 2025. Os dados mostram que, mesmo com leis mais rígidas em vigor, os flagrantes aumentaram significativamente em municípios como Piracicaba e Limeira, ambos no interior de São Paulo.

Aumento expressivo em Piracicaba e Limeira contrasta com leve queda estadual

Enquanto o estado de São Paulo registrou uma pequena redução de 0,5% nos casos de embriaguez ao volante entre 2024 e 2025, as cidades de Piracicaba e Limeira apresentaram aumentos alarmantes. Em Piracicaba, os registros saltaram de 33 para 45 casos, um crescimento de 36%. Já em Limeira, os números subiram de 32 para 39 ocorrências, representando uma alta de 22%. Esses dados consideram apenas os casos que resultaram em boletins de ocorrência, ou seja, os registros oficiais disponíveis.

Vale destacar que Piracicaba, com 74 mortes no trânsito em 2025, lidera o ranking de letalidade na região, o que acende um alerta sobre a gravidade da situação. Os números reforçam a necessidade de ações mais efetivas para combater esse problema que coloca vidas em risco diariamente.

Penalidades severas, mas aplicação lenta gera sensação de impunidade

De acordo com a legislação atual, dirigir sob efeito de álcool pode resultar em multa de quase R$ 3 mil, além de 12 meses de suspensão do direito de dirigir. Se o teste do etilômetro apontar índice igual ou superior a 0,34 mg de álcool, o condutor também responde por crime de trânsito, com pena prevista de seis meses a três anos de detenção. Em casos de acidente com lesão corporal ou morte, a situação é considerada agravante, com aumento da pena.

No entanto, especialistas apontam que a demora nos processos de suspensão do direito de dirigir e a possibilidade de recursos administrativos e judiciais contribuem para uma sensação de impunidade. Tiago Romano, advogado especialista em direito do trânsito, explica: “A pessoa é identificada na infração, mas recorre ao longo dos meses ou anos. Às vezes, a penalidade nem chega a ser percebida.”

Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, complementa que muitos motoristas não sentem o impacto imediato da responsabilização e punição, o que pode explicar a persistência dos casos.

Relatos de vítimas e profissionais destacam frequência do problema

Caio Daniel Batista, que trabalhava com transporte de passageiros em uma moto, foi atingido por um carro que trafegava na contramão. Ele relata: “Ele entrou direto, ignorando tudo. Quando desceu do carro, estava completamente embriagado. Além disso, fugiu pela contramão.” Caio afirma que situações como essa são mais frequentes do que deveriam ser e associa o problema à falta de cultura e fiscalização.

Profissionais que atuam no atendimento de emergências também confirmam a recorrência desse tipo de ação. José Carlos de Oliveira, motorista de ambulância, relata que em algumas noites são registrados dois ou três acidentes, muitos deles envolvendo condutores com alto índice de embriaguez.

Fiscalização estadual registra milhares de operações em 2025

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que as fiscalizações são realizadas de forma contínua. Em 2025, em todo o estado, foram feitas 4.220 operações, com mais de 270 mil condutores submetidos ao teste do etilômetro. Desse total, 88 motoristas foram flagrados dirigindo sob efeito de álcool e 1.100 autuados. Outros 21,1 mil condutores se recusaram a fazer o teste, o que também gerou infração.

Segundo a pasta, a Polícia Civil investiga todos os casos com vítimas fatais ou indícios de crime. Apesar dos esforços, os números crescentes em cidades como Piracicaba e Limeira indicam que desafios persistem na luta contra a embriaguez ao volante.