Terceiro ciclista vítima de atropelamento em Três Coroas é velado após doação de órgãos
Ciclista atropelado em RS é velado após doação de órgãos

Terceiro ciclista vítima de atropelamento em rodovia gaúcha é velado após doação de órgãos

O corpo de Isac Emanuel Ribeiro da Silva, de 35 anos, terceira vítima fatal do atropelamento ocorrido na RS-115, em Três Coroas, no Rio Grande do Sul, foi velado na quarta-feira (26) no Ginásio Municipal Armando Brusius. O ciclista faleceu no hospital após ser atropelado no último dia 21, junto com sua esposa, Clarissa Felipetti, e a amiga Fernanda Barros, que morreram no local do acidente.

Doação de órgãos facilitada por registro prévio

Isac havia oficializado ainda em vida a vontade de ser doador de órgãos, o que foi apontado pela família como determinante para seguir adiante com a doação após a confirmação de sua morte cerebral. A esposa dele, Clarissa, acompanhou o marido quando o casal decidiu oficializar a medida no cartório. O ciclista integrava um grupo de 336 moradores de Três Coroas que, desde 2023, procuraram o Cartório de Notas para declarar a intenção de doar órgãos.

Sistema digital agiliza registro de doadores

O documento, chamado de Escritura Pública Declaratória de Doação de Órgãos, pode ser feito presencialmente ou de forma online. Desde abril de 2024, qualquer cidadão pode registrar gratuitamente e de forma totalmente digital o desejo de ser doador através da ferramenta Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), criada pelo Colégio Notarial do Brasil em parceria com o Conselho Nacional de Justiça e o Ministério da Saúde.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

No Rio Grande do Sul, 1.676 pessoas já utilizaram o serviço. A formalização em cartório para quem deseja doar órgãos começou de forma pioneira no estado em 2022, oferecendo ao cidadão uma forma oficial, gratuita e acessível de declarar a própria vontade.

Como funciona o registro digital

  1. O interessado acessa o site específico;
  2. Emite gratuitamente um Certificado Digital Notarizado;
  3. Participa de uma videoconferência com um tabelião;
  4. Assina eletronicamente a autorização, indicando quais órgãos pretende doar.

A informação fica registrada na Central Nacional de Doadores de Órgãos e pode ser consultada por profissionais habilitados do Sistema Nacional de Transplantes. A autorização também pode ser cancelada a qualquer momento pelo próprio doador.

Investigação do acidente avança com prisão do motorista

O motorista do carro envolvido no acidente, identificado como José Carlos Almeida Bessa, foi indiciado por triplo homicídio triplamente qualificado por ter sido cometido com meio cruel. O homem foi preso preventivamente após fugir sem prestar socorro e ser encontrado em casa após deixar a placa do veículo no local do acidente.

Há ainda os agravantes de impossibilidade de defesa das vítimas e geração de risco comum — o motorista teve dolo eventual, ou seja, quando assume risco de matar, conforme explicou o delegado responsável pelo caso. O investigado responderá também por crimes de trânsito de embriaguez ao volante e condução de veículo automotor sem carteira de habilitação, gerando risco de dano.

A defesa de Bessa informou que não teve acesso ao inquérito e não irá se manifestar no momento. A polícia revelou que uma testemunha viu o motorista deixando uma casa noturna e conduzindo o carro em zigue-zague antes do acidente. O teste do bafômetro confirmou que ele estava alcoolizado no momento da colisão.

Homenagens às vítimas destacam legado positivo

"O Isac era surreal. Um amigo extremamente divertido. Ele era sempre alegre, não tinha pessoa triste do lado dele", definiu Cleria Diel, policial penal e amiga do ciclista. Isac era corretor de imóveis e sócio de uma imobiliária em Três Coroas, que publicou uma nota de pesar lamentando o falecimento.

"Isac foi um homem íntegro e generoso, pai exemplar, esposo dedicado e amigo leal. Sua partida deixa um vazio imenso em todos nós", dizia a postagem. A Associação Igrejinhense de Ciclismo também lamentou a morte, destacando que "a bicicleta não era apenas um meio de transporte para Isac — era sua paixão, seu refúgio, sua alegria".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Perfil das outras vítimas

Clarissa Felipetti, mais conhecida como Sissa, era formada em Educação Física e Publicidade e Propaganda. Ela já havia trabalhado como assessora de imprensa na Prefeitura de Três Coroas e, atualmente, atuava como fotógrafa e no setor de marketing de uma empresa. Ela tinha dois filhos com Isac.

Fernanda Mikaella da Silva Barros era natural de Minas Gerais e trabalhava em uma empresa calçadista da região. Em nota, a companhia lamentou a perda, afirmando que "Fernanda não era apenas uma profissional dedicada e comprometida, ela era verdadeiramente parte da nossa família".

O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil como triplo homicídio doloso no trânsito, com novas informações surgindo à medida que as investigações avançam.