Uma nova pesquisa eleitoral reacendeu o debate sobre quem poderá representar a direita na disputa presidencial de 2026. O levantamento da Quaest, divulgado em janeiro de 2026, coloca o senador Flávio Bolsonaro em uma posição de crescimento pontual, mas com uma rejeição elevada que limita seu potencial máximo de votos.
Os números de Flávio Bolsonaro e o peso do sobrenome
Nas projeções estimuladas para o primeiro turno, Flávio Bolsonaro oscila entre 23% e 32% das intenções de voto. Em todos os cenários testados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece à frente. O dado mais crítico para o senador, no entanto, é a rejeição de 55% entre os eleitores que o conhecem.
Segundo análise do cientista político Fábio Vasconcellos, essa alta rejeição está diretamente ligada à imagem do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que tem avaliação negativa para 53% dos entrevistados. A trajetória do filho nas pesquisas ilustra esse vínculo: conforme seu conhecimento aumentou, a rejeição também cresceu.
"Em agosto de 2025, 22% dos eleitores que conheciam Flávio diziam votar nele, enquanto 55% afirmavam que não votariam. Em dezembro, a rejeição subiu para 60%", contextualiza a análise. No levantamento mais recente, houve uma leve melhora: a rejeição recuou para os 55% e a intenção de voto entre quem o conhece subiu para 34% no melhor cenário.
O teto eleitoral e a comparação com Tarcísio
Para Fábio Vasconcellos, os números indicam que Flávio Bolsonaro começa a chegar a um teto eleitoral. Em uma projeção no cenário mais favorável, o analista estima que o senador pode alcançar cerca de 34% das intenções de voto. Teoricamente, se todos os 11% dos eleitores que ainda não o conhecem migrassem para ele, esse teto poderia chegar a 45%, mas o próprio analista considera essa hipótese pouco plausível.
A pesquisa ganha outra dimensão quando coloca o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na equação. No melhor cenário testado, Tarcísio aparece com 26% das intenções. A grande diferença, porém, está no nível de desconhecimento: cerca de 31% dos eleitores afirmam não conhecê-lo.
Aplicando a mesma lógica de projeção teórica, o teto potencial de Tarcísio poderia alcançar 57%, um patamar significativamente mais alto que o projetado para Flávio Bolsonaro. Esse potencial explica a atenção que setores da direita e do centro dedicam à evolução política do governador paulista.
O que isso significa para a disputa de 2026?
O cientista político ressalta que as pesquisas atuais não definem o vencedor da eleição de 2026, mas ajudam a indicar quais candidatos podem chegar de forma competitiva a um eventual segundo turno. Nesse contexto, a direita vive uma disputa silenciosa por viabilidade eleitoral, que vai além das simples intenções de voto mensuradas hoje.
Com a campanha ainda distante e um alto grau de incerteza, o cenário permanece aberto. No entanto, os dados da Quaest lançam uma pergunta crucial para o bolsonarismo: até onde Flávio Bolsonaro pode crescer antes de esbarrar no limite imposto pela rejeição ao seu sobrenome?
A resposta a essa pergunta, que envolve não apenas números, mas também a dinâmica política dos próximos dois anos, será decisiva para a definição do candidato que tentará enfrentar Lula na próxima corrida presidencial.