Executivo do Google destaca otimismo com IA no setor público brasileiro, mas aponta falta de estrutura
Otimismo com IA no setor público, mas falta estrutura, diz Google

Potencial da inteligência artificial no setor público brasileiro é destacado por executivo do Google

Eduardo López, presidente do Google Cloud para a América Latina, afirmou que os servidores públicos no Brasil demonstram um otimismo significativo em relação à utilização de inteligência artificial em suas atividades profissionais. No entanto, o executivo ressaltou que é fundamental fornecer mais estrutura e capacitação para garantir um uso adequado e seguro dessa tecnologia.

Pesquisa revela entusiasmo e desafios na adoção de IA

Os comentários de López foram baseados nos resultados do Índice de Adoção de IA no Setor Público, uma pesquisa realizada pela consultoria Public First com patrocínio do Google. O estudo ouviu 3.335 servidores públicos em dez países diferentes, incluindo o Brasil.

No território brasileiro, 60% dos entrevistados se mostraram entusiasmados com o uso de inteligência artificial em seu trabalho. Esse número é consideravelmente maior do que os índices registrados no Reino Unido, com 47%, e nos Estados Unidos, com 43%. Por outro lado, países como a Arábia Saudita, com 79%, e a Índia, com 71%, apresentaram níveis de otimismo ainda mais elevados.

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Falta de estrutura e capacitação preocupam especialistas

Embora o otimismo seja alto, os servidores brasileiros enfrentam sérias limitações em termos de estrutura. Apenas 41% dos entrevistados declararam ter acesso a ferramentas oficiais de inteligência artificial fornecidas por seus órgãos públicos. Com isso, muitos acabam utilizando contas pessoais e plataformas não autorizadas para realizar suas tarefas.

Para Eduardo López, essa prática de improviso representa riscos significativos para a gestão de dados sensíveis. "Quando você tem o modelo de governança e tem as ferramentas definidas, é muito mais fácil que a pessoa entenda como gerenciar as informações, como as informações não podem sair do organismo público", explicou o executivo em entrevista ao Radar.

Implementação de soluções especializadas ainda é lenta

López mencionou que algumas administrações públicas no Brasil já começaram a utilizar o Gemini for Government, uma plataforma desenvolvida especificamente para governos. No entanto, ele considera que a velocidade de implementação poderia ser maior. "Temos alguns exemplos. Está crescendo em uma velocidade boa, mas poderia estar mais rápido. Poderia ser muito maior", avaliou o presidente do Google Cloud para a América Latina.

O executivo destacou ainda que o Brasil e a América Latina como um todo demonstram um otimismo mais acentuado em relação ao impacto da inteligência artificial do que outras regiões do mundo. "Os números são muito interessantes, porque o Brasil e a América Latina são muito mais otimistas que outras regiões no impacto que a IA pode ter na vida das pessoas, nas empresas e no setor público", afirmou López.

A combinação entre entusiasmo e falta de infraestrutura adequada cria um cenário desafiador para a adoção responsável de tecnologias de inteligência artificial no setor público brasileiro, exigindo atenção tanto do governo quanto das empresas de tecnologia.

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