Introdução
Usar inteligência artificial para escrever textos pode ser uma mão na roda, mas o resultado muitas vezes soa genérico, polido demais e, com o tempo, irritante. Felizmente, é possível amenizar esse problema com algumas medidas práticas antes e durante o uso do ChatGPT. Neste artigo, você aprenderá a configurar o modelo, dar comandos mais precisos e até corrigir textos que já saíram ruins.
Configure o ChatGPT antes de começar
O ChatGPT possui uma função chamada Instruções Personalizadas, que resolve boa parte do problema antes mesmo de você digitar o primeiro pedido. Ela está disponível em Configurações → Personalização → Instruções personalizadas para todos os planos, inclusive o gratuito. Basta preencher alguns campos uma única vez, e o modelo passa a aplicar essas preferências em todas as novas conversas.
Você pode especificar o estilo e o tom, dizer se prefere menos entusiasmo ou menos uso de emojis. No campo "Sobre você", é possível incluir dados que a IA deve memorizar. Veja um exemplo de instrução personalizada:
- Escreva em português brasileiro natural.
- Evite palavras como: robusto, assertivo, sinérgico, holístico, disruptivo, “no mundo atual”, “em um cenário cada vez mais”, “cabe ressaltar”, “neste sentido”, “é fundamental destacar”, “diante do exposto”.
- Nunca comece com uma definição do tema.
- Sem bullet points quando a prosa funcionar melhor.
- Não explique termos que o leitor já conhece.
- Evite entusiasmo vazio — em vez de dizer que algo é revolucionário, descreva o que ele faz.
- Escreva em parágrafos corridos, com frases médias.
Vale revisar esse texto de tempos em tempos, pois os modelos evoluem e você pode criar novas preferências.
O que fazer dentro de cada prompt
Mesmo com as instruções salvas, cada pedido específico precisa de orientação. Quatro informações resolvem a maioria dos casos:
- Quem você é e para quem escreve: Se o contexto for diferente das instruções fixas, especifique no prompt. Por exemplo: “Escrevo para gestores de RH que não têm formação técnica”.
- Onde o texto será usado: E-mail interno, post no LinkedIn, coluna de jornal, roteiro de vídeo. O formato muda completamente o resultado.
- O tom desejado: Direto, informal, técnico, irônico. Se tiver um texto de referência, cole um trecho e peça para seguir aquele tom.
- O tamanho exato: Em vez de “texto curto”, diga “três parágrafos” ou “até 200 palavras”. Para tamanhos específicos, pode ser necessário ajustar.
Proíba os cacoetes de IA que mais odeia
Desde que você proíba certas palavras nas instruções personalizadas, o modelo tende a obedecer. Mas vale reforçar nos prompts, especialmente se houver expressões que te irritam. Exemplos comuns:
- Palavras de consultor: “robusto”, “sinérgico”, “estratégico”, “holístico”, “disruptivo”.
- Aberturas de IA: “No mundo atual”, “Em um cenário cada vez mais”, “É inegável que”. Peça para começar com um fato, pergunta ou afirmação direta.
- Conectivos de relatório: “Neste sentido”, “Cabe ressaltar”, “É fundamental destacar”, “Diante do exposto”.
- Excesso de listas: O ChatGPT adora bullet points. Se preferir prosa, diga explicitamente: “sem listas, escreva em parágrafos corridos”.
- Entusiasmo vazio: “revolucionário”, “transformador”, “sem precedentes”. Peça para descrever o que a coisa faz, não o quanto ela é incrível.
Use a memória como reforço
Além das Instruções Personalizadas, o ChatGPT tem uma função de Memória que é construída pelo uso. Você pode dizer: “lembre que meus textos nunca usam bullet points” ou “lembre que escrevo para leitores leigos em tecnologia”. Para ver o que já foi guardado, pergunte: “O que você lembra sobre mim?” As memórias podem ser gerenciadas em Configurações → Personalização → Memória → Gerenciar memórias.
Quando o texto saiu ruim mesmo assim
Não peça do zero novamente. Tente editar com prompts objetivos, como:
- “Reescreva este texto eliminando todas as frases que começam com substantivo abstrato.”
- “Reescreva como um jornalista de revista, não como um consultor de PowerPoint.”
- “Qual frase deste texto soa mais artificial? Reescreva só ela.”
Cada um desses comandos força o modelo a olhar para o problema de um ângulo específico, gerando resultados melhores do que recomeçar do zero.



