Artemis II: Conheça os quatro astronautas que orbitarão a Lua após 50 anos
Em 1º de abril de 2026, pela primeira vez em mais de cinco décadas, seres humanos voltarão a se aproximar da Lua. A bordo da espaçonave Orion, os astronautas americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, acompanhados pelo canadense Jeremy Hansen, embarcarão numa jornada histórica de cerca de dez dias em torno do satélite natural da Terra.
A missão Artemis II, da NASA, representa muito mais do que um avanço científico e tecnológico. Esta expedição rompe barreiras históricas ao incluir pela primeira vez uma mulher e uma pessoa negra em uma tripulação lunar. Além disso, Jeremy Hansen será o primeiro não americano a orbitar a Lua, marcando uma ruptura simbólica com a era Apolo, caracterizada pela exclusividade masculina, branca e norte-americana.
Reid Wiseman — o comandante da missão
Aos 50 anos, Reid Wiseman assumirá o comando da Artemis II. Natural de Baltimore, ele ingressou na NASA em 2009 após uma extensa carreira na Marinha dos Estados Unidos. Em 2014, passou 165 dias na Estação Espacial Internacional e, posteriormente, chefiou o escritório de astronautas da agência espacial.
Para Wiseman, esta viagem representa a realização de um sonho que durante muito tempo considerou impossível. Sua trajetória, no entanto, não é composta apenas por conquistas profissionais. Após perder a esposa para o câncer em 2020, criou sozinho suas duas filhas, hoje adolescentes. Com a franqueza de quem compreende os riscos da profissão, sentou-se com elas para uma conversa difícil antes da partida.
"Disse a elas: 'Aqui está meu testamento, aqui estão os documentos... E se algo me acontecer, é isso que acontecerá com vocês'", relatou o astronauta. "Faz parte da vida."
Victor Glover — o piloto histórico
Victor Glover, de 49 anos, será o piloto da espaçonave Orion. Veterano da Marinha e pai de quatro filhas, ele foi selecionado pela NASA em 2013, mas sua conexão com o espaço começou muito antes, ao assistir ao lançamento de um ônibus espacial na televisão.
"Pensei: 'Eu realmente quero pilotar um desses'", recorda Glover. Em 2020, tornou-se o primeiro americano negro a cumprir uma missão de longa duração na Estação Espacial Internacional. Com a Artemis II, dará mais um passo histórico: será o primeiro homem negro e a primeira pessoa não branca a chegar às proximidades da Lua.
Glover atribui o mérito dessa conquista a quem veio antes dele, especialmente a Guion Bluford, o pioneiro que abriu caminho décadas atrás.
Christina Koch — a primeira mulher lunar
Christina Koch, de 47 anos, escreverá seu nome na história ao se tornar a primeira mulher a participar de uma missão lunar. Engenheira de formação, ela construiu parte de sua experiência em ambientes extremos, incluindo expedições à Antártida — um treinamento singular para quem escolheu uma carreira nas fronteiras do mundo conhecido.
Selecionada pela NASA em 2013, Koch já detém o recorde de permanência no espaço entre as mulheres: 328 dias consecutivos. Participou ainda da primeira caminhada espacial realizada exclusivamente por mulheres, ao lado de Jessica Meir.
"Sempre digo às pessoas: façam o que as assusta", afirma sobre seu lema de vida. "E isso significa que preciso seguir meu próprio conselho."
Jeremy Hansen — o pioneiro canadense
Completando a tripulação está o canadense Jeremy Hansen, também com 50 anos. Ex-piloto de caça da Força Aérea Real Canadense, ele integra a Agência Espacial Canadense desde 2009, tendo atuado como elo de comunicação com a Estação Espacial Internacional e como instrutor de novas gerações de astronautas.
Hansen revela que uma fotografia de Neil Armstrong na superfície lunar, vista ainda na infância, foi o estopim de sua paixão pela exploração espacial. A Artemis II será sua primeira viagem para além da órbita terrestre — e, para este pai de três filhos, a concretização de uma vida dedicada a alcançar o impossível.
A missão Artemis II não apenas retorna a humanidade à Lua após meio século, mas também estabelece novos marcos de diversidade e cooperação internacional na exploração espacial, abrindo caminho para futuras expedições ainda mais ambiciosas.



