Gemini acerta 71% do final de Stranger Things, mas 'alucina' em mortes
IA prevê 71% do final de Stranger Things; veja erros

O episódio final de Stranger Things, intitulado "The Rightside Up", chegou à Netflix no último dia do ano de 2025, encerrando uma das séries mais amadas da década. Mas, antes mesmo da estreia, a inteligência artificial do Google, o Gemini, já havia feito suas projeções sobre o desfecho da trama em Hawkins.

O placar da IA: 71% de precisão

Em um exercício curioso, um jornalista submeteu ao Gemini, após a exibição do episódio, a mesma sequência de perguntas usada para fazer as previsões. O objetivo era que a própria IA avaliasse seu desempenho. O resultado foi um placar de aproximadamente 71% de acertos em suas grandes previsões, com alguns erros significativos que revelam tanto os limites da tecnologia quanto a sensibilidade narrativa dos criadores, os Irmãos Duffer.

Dos sete pontos principais analisados, o Gemini acertou de forma sólida em quatro. A previsão de que Vecna usava as crianças sequestradas, incluindo Holly, como "baterias humanas" e que Mike lideraria o resgate se confirmou integralmente. A função de Max como uma espécie de "GPS psíquico" para guiar Eleven pela mente de Henry também foi precisa, assim como o papel crucial de Will Byers, que usou sua conexão com o Mundo Invertido para paralisar Vecna de forma decisiva. O epílogo com salto temporal para 1989 e uma partida de Dungeons & Dragons também estava no roteiro previsto pela IA.

Os erros e as 'alucinações' do Gemini

Porém, foi nos momentos mais emocionais e trágicos que o modelo de linguagem mostrou suas falhas. O Gemini previu que Jim Hopper faria um sacrifício mortal, o que não aconteceu. O chefe de polícia sobreviveu, mesmo gravemente ferido, e seu casamento com Joyce Byers no epílogo se tornou um momento comemorado pelos fãs.

Outro equívoco grave, que o próprio Gemini classificou como uma "alucinação" após ser questionado, foi sobre o destino de Kali, a personagem 008. A IA inicialmente afirmou que a jovem havia sobrevivido e fugido para Chicago. Na realidade, a análise do episódio mostra que Kali foi baleada e ficou para trás no Mundo Invertido durante seu colapso, indicando sua morte no sacrifício para proteger Eleven.

Quanto a Eleven, o Gemini previu que ela perderia seus poderes para ter uma vida normal. O final, no entanto, foi mais ambíguo e poderoso: Eleven não perdeu suas habilidades, mas aprendeu a controlá-las de uma nova forma. Além disso, o epílogo não a mostra fisicamente, deixando em aberto se ela está viva e se escondendo ou se de fato pereceu, uma decisão narrativa que gerou intenso debate entre os fãs.

IA versus coração: um final mais esperançoso

A análise pós-episódio feita pelo Gemini chegou a uma conclusão interessante. A IA demonstrou ser capaz de prever a lógica e a tática da batalha final com boa precisão, acertando os mecanismos de plot. No entanto, subestimou o aspecto emocional e o apego dos criadores aos personagens originais.

Ao optar por um desfecho onde nenhum dos personagens principais da primeira temporada morre, os Irmãos Duffer entregaram um final mais esperançoso e menos trágico do que muitas previsões estatísticas para séries dramáticas indicariam. Isso contrariou a expectativa de mortes impactantes e, na visão da IA, revelou um "coração suave" por trás das decisões narrativas.

Este exercício, realizado em janeiro de 2026, serve como um alerta sobre a interação com inteligências artificiais generativas. As respostas do Gemini são apresentadas com alta convicção e segurança, o que pode levar o usuário a aceitar informações incorretas — as chamadas "alucinações" — sem questionar. O caso mostra que, para usar essas ferramentas de forma crítica, é fundamental ter conhecimento prévio sobre o assunto em discussão. No fim, o confronto entre as previsões da máquina e a criatividade humana rendeu uma análise tão divertida quanto reveladora sobre o futuro da narrativa e da tecnologia.