Tecnologia de imagem revela grafites ocultos de amor e insultos em Pompeia após 2 mil anos
Uma equipe de pesquisadores franceses e canadenses conseguiu decifrar grafites quase apagados em um corredor de Pompeia, utilizando uma tecnologia de imagem aplicada pela primeira vez em paredes inteiras. As inscrições, que incluem declarações de amor, ofensas com teor sexual e desenhos detalhados, oferecem um raro vislumbre da cultura popular da cidade soterrada pelo Vesúvio em 79 d.C.
Descoberta de 79 novas inscrições em corredor histórico
O espaço, descoberto ainda no século XVIII, mede 27 metros de comprimento, três de largura e oito de altura. As paredes internas eram revestidas por uma camada pintada, comum na época romana, sobre a qual pessoas riscaram mensagens e desenhos com objetos pontiagudos há quase dois mil anos. Com o desgaste do material ao longo do tempo, muitos desses registros se tornaram praticamente ilegíveis, mas agora foram recuperados.
Ao todo, 79 novas inscrições, que nunca haviam sido catalogadas, foram adicionadas ao inventário de grafites conhecido desde o início do século XIX. Entre os grafites recuperados está uma frase incompleta que diz "Erato ama…", cuja continuação se perdeu quando parte do revestimento se soltou. Também foram identificados insultos escritos com vocabulário sexual e uma série de desenhos detalhados, como a representação de dois gladiadores em combate.
Técnica RTI permite visualizar marcas imperceptíveis ao olho humano
Para conseguir visualizar os grafites, a equipe utilizou a técnica chamada Reflectance Transformation Imaging (RTI). Trata-se de um método fotográfico que registra a superfície em duas dimensões, mas com variações controladas de luz que permitem destacar relevos mínimos. Na prática, a técnica revela pequenas marcas feitas na parede que o olho humano já não consegue perceber.
Embora já fosse utilizada para analisar obras de arte, essa foi a primeira vez que o método foi aplicado em grande escala em superfícies arquitetônicas. Durante cinco noites, os pesquisadores captaram cerca de 15 mil imagens das duas paredes do corredor usando um equipamento cercado por múltiplas fontes de luz.
Insights sobre a cultura popular de Pompeia
Segundo os pesquisadores, as inscrições ajudam a entender aspectos da cultura popular de Pompeia que não aparecem em monumentos oficiais ou textos formais. Pois são registros diretos do que pessoas comuns escreviam e desenhavam nas paredes da cidade. A análise sugere que diferentes pessoas passaram pelo local e deixaram seus registros, possivelmente soldados e frequentadores da área.
O material integra o projeto "Bruits de couloir" ("Rumores de corredor") e será disponibilizado em uma plataforma digital que deve ser aberta ao público nas próximas semanas. Esta iniciativa promete democratizar o acesso a essas descobertas arqueológicas, permitindo que estudiosos e entusiastas explorem os grafites em detalhe.
As descobertas destacam como a tecnologia moderna está revolucionando a arqueologia, trazendo à tona histórias pessoais e expressões culturais que estavam perdidas no tempo. Em Pompeia, um local já rico em achados históricos, esses grafites adicionam uma camada humana e íntima à nossa compreensão da vida cotidiana na Roma Antiga.