Sonho de assistir à Copa nos EUA de Fusca enfrenta obstáculo na fronteira
O plano audacioso de um gaúcho de atravessar o continente americano a bordo de um Fusca 1971 para assistir à Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, encontrou um imprevisto significativo. Guilherme Martin, criador de conteúdo digital de 33 anos e natural de Uruguaiana, no Oeste do Rio Grande do Sul, precisou interromper sua jornada e retornar à cidade de origem após ser impedido de entrar no Peru.
Problema na documentação do motor barra passagem
Após percorrer mais de 3 mil quilômetros, Guilherme foi barrado pela aduana peruana na fronteira com o Chile. O motivo foi uma incompatibilidade na documentação do motor do veículo. O gaúcho explicou que o motor original do Fusca havia fundido, e ele realizou a substituição por outro de um veículo similar que possuía em Porto Alegre.
"Quando eu apresentei o documento, a aduana do Peru disse que não era permitido entrar porque ele tem que ser exatamente igual: mesma placa, mesmo chassi, mesmo motor", relatou Guilherme. A exigência burocrática forçou uma pausa inesperada na aventura, mas a desistência nunca foi considerada uma opção pelo viajante.
Retorno ao RS para regularização e retomada da viagem
Com a ajuda de amigos, que transportaram o motor original até Uruguaiana, Guilherme retornou à cidade gaúcha. Ele permaneceu por quatro dias no local para realizar a troca da peça e regularizar toda a situação documental do veículo. Após resolver o contratempo, o criador de conteúdo já voltou à estrada, embora agora com um cronograma mais apertado devido ao tempo perdido.
Um detalhe curioso da jornada é que Guilherme ainda não possui os ingressos para os jogos da Copa. "Ou eu comprava os ingressos, ou viajava. Os dois não dava, porque é muito caro. Então nós vamos com o Fusca lá tentar acompanhar a seleção e, se aparecer alguém e quiser abençoar com um ingresso para algum jogo, fico feliz", confessou com bom humor.
Inspiração em outra aventura gaúcha e mensagem de apoio
A viagem de Guilherme, realizada em um Fusca pintado com as cores do Grêmio, remete à jornada do fotógrafo Nauro Júnior, que em 2018 viajou de fusca até a Rússia para acompanhar a Copa do Mundo daquele ano. Nauro, que é torcedor do Internacional, enviou uma mensagem de apoio ao conterrâneo.
"Cara, boa sorte. Tu estás indo com o Fusca do Grêmio, mas tu estás indo representar todo o povo gaúcho. Eu, como colorado, quero que tu sejas muito feliz e que tu represente o nosso povo lá", desejou o fotógrafo, demonstrando a união além das rivalidades clubísticas.
Determinação como combustível e expectativa pelo hexa
O caminho até os Estados Unidos ainda é longo, mas a determinação de Guilherme segue sendo seu principal combustível. A expectativa pela conquista do hexacampeonato pela Seleção Brasileira é tão grande que ele brinca sobre suas possíveis reações em caso de título.
"Se o Brasil inventar de ganhar essa Copa, eu acho que trago o Fusca nas costas, de tão feliz que eu vou ficar", finalizou o gaúcho, mantendo o espírito animado apesar dos obstáculos. A aventura sobre rodas continua, carregando o sonho de um torcedor e a resiliência típica do povo gaúcho.



