Ypê em Amparo: visita mostra correções após inspeção da Anvisa
Ypê: visita mostra correções após inspeção da Anvisa

Antes e depois na Ypê: visita mostra correções em áreas flagradas em inspeção da Anvisa

O final 1 nos lotes de produtos Ypê indica que eles foram produzidos no complexo em Amparo (SP), matriz da companhia. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (11), durante visita à fábrica um dia após o Fantástico revelar detalhes da inspeção sanitária que motivou a suspensão de parte dos detergentes, desinfetantes e lava-roupas líquidos. A empresa chegou a suspender a decisão da Anvisa após apresentar recurso, mas optou por manter a produção parada para acelerar o cumprimento das medidas exigidas.

Correções em andamento

De acordo com a empresa, duas fábricas seguem paralisadas — uma de detergentes e outra de lava-roupas líquidos e desinfetantes — enquanto as demais estruturas do complexo continuam operando normalmente. Segundo o diretor executivo de Operações da Ypê, Eduardo Beira, cerca de 400 funcionários trabalham nos três turnos nas plantas afetadas. Ao todo, a companhia possui cerca de 450 produtos, a maioria fabricada em Amparo.

Conforme o executivo, os trabalhadores das unidades paradas formaram uma força-tarefa para acelerar as adequações exigidas pelo órgão regulador. "Mobilizamos toda a equipe para que a gente trabalhasse em limpeza, em pintura, em manutenções. Estamos trabalhando realmente para resolver tudo aquilo que a Anvisa nos colocou", disse.

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Próximos passos

O caso será analisado nesta quarta-feira (13) pela diretoria colegiada da agência, que decidirá se mantém a suspensão da fabricação e comercialização de lotes de produtos da empresa.

O que foi encontrado na inspeção

As correções nas fábricas alvo da inspeção foram apresentadas em uma visita monitorada um dia após o Fantástico revelar detalhes da inspeção sanitária que identificou equipamentos com sinais de corrosão e "descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo". O relatório da inspeção também destacou o estado de conservação do tanque de manipulação de produtos para lavar louças. Na mesma unidade, o relatório afirma que os fiscais flagraram restos de produtos armazenados e devolvidos às linhas de envase.

Segundo a Anvisa, os problemas comprometem as boas práticas de fabricação e representam risco sanitário, com possibilidade de contaminação microbiológica dos produtos. A contaminação microbiológica é a presença indesejada de microrganismos patogênicos, como bactérias, fungos e vírus, que produzem toxinas e podem causar doenças ou irritações.

O relatório aponta que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a empresa registrou resultados fora da especificação microbiológica em 80 lotes de produtos acabados, incluindo testes positivos para a bactéria Pseudomonas aeruginosa. De acordo com a inspeção, os lotes não foram reprovados pelo controle de qualidade e permaneciam armazenados aguardando “definição financeira”.

Sobre os lotes contaminados, Beira defende que estão armazenados e protegidos, garantindo que não cheguem aos consumidores. "O que nós estamos querendo mostrar é que a segurança do consumidor é algo que nós visamos, que nós nos preocupamos, e nós como organização, nós não colocaríamos em risco a saúde de ninguém", destacou.

Processo administrativo na Anvisa

Segundo o advogado especialista em direito regulatório sanitário Alexandre Nemer Elias, a primeira análise será feita pela instância máxima da Anvisa, a Diretoria Colegiada, que vai discutir nos próximos dias se mantém ou derruba o efeito suspensivo obtido pela Ypê com o recurso. Em seguida, o caso passará pelo rito tradicional da Anvisa, com a análise do recurso em si. Esse recurso deve ser avaliado pela Gerência-Geral de Recursos.

O advogado afirma que o caso deve se desdobrar em mais de um acompanhamento paralelo na Anvisa, já que a agência também analisará o recolhimento dos produtos pela fabricante. Este segundo procedimento deve ser acompanhado pelo Procon estadual e pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

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Orientação da Anvisa

A Anvisa confirmou que o recurso feito pela Ypê tem efeito suspensivo automático, mas a avaliação técnica de risco sanitário não foi revista. Portanto, a orientação até a publicação desta reportagem é de não utilizar os produtos listados. "As ações determinadas pela Anvisa estão sob efeito suspensivo até o julgamento pela Diretoria Colegiada da Anvisa, previsto para ocorrer nos próximos dias", informou a agência.

Produtos listados

Os produtos suspensos incluem lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes, todos com numeração de lote terminada em 1. A lista completa abrange marcas como Ypê, Tixan, Atol e Bak Ypê.

Motivos da decisão

A Anvisa identificou descumprimentos relevantes das Boas Práticas de Fabricação, como fragilidades nos sistemas de garantia da qualidade, controle de qualidade, limpeza, sanitização, validação e controle microbiológico. Esses aspectos são diretamente relacionados à prevenção de desvios microbiológicos, que podem permitir a contaminação dos produtos por microrganismos.