Vítima declarada morta por médica do Samu reage a estímulos em hospital de Bauru
A mulher atropelada em uma rodovia de Bauru, no interior de São Paulo, que foi declarada morta pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e posteriormente reanimada por um médico da equipe de socorristas da concessionária, segue internada e apresentou sinais de recuperação neste sábado (24). De acordo com o boletim médico do Hospital de Base de Bauru (HBB), Fernanda Policarpo respondeu a estímulos pela primeira vez em uma semana, marcando um avanço significativo em seu estado de saúde.
Evolução clínica e internação na UTI
Apesar da evolução positiva, Fernanda continua internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. O HBB informou que, embora o estado de saúde da paciente ainda exija cuidados rigorosos, seu quadro é considerado estável. Ela permanece em ventilação mecânica, com redução gradual dos sedativos, indicando progressos no tratamento médico.
Cronologia dos fatos desde o atropelamento
O caso teve início no domingo (18), quando um atropelamento foi registrado na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Bauru. Fernanda Cristina Policarpo, de 29 anos, tentava atravessar a rodovia e foi atingida por um carro. A equipe do Samu foi acionada e, em um primeiro momento, constatou o óbito da vítima, levando à interdição da via e ao acionamento do Instituto Médico Legal (IML) para remoção do corpo.
No entanto, pouco depois da saída do Samu, um médico da concessionária percebeu movimentos respiratórios em Fernanda, que já estava coberta por uma manta térmica na pista. Ao identificar que a mulher ainda respirava, o socorrista iniciou imediatamente manobras de reanimação, salvando sua vida. A vítima foi então encaminhada ao Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru em estado grave, sendo posteriormente transferida para o HBB.
Repercussão e investigações em andamento
Com a repercussão do caso, a Prefeitura de Bauru, responsável pelo Samu na região, abriu uma sindicância interna para apurar possíveis falhas no atendimento. A médica que atestou o óbito foi afastada das atividades até a conclusão da investigação. Além disso, a Polícia Civil iniciou um inquérito para examinar as circunstâncias do acidente e uma possível omissão de socorro ou negligência médica por parte da equipe do Samu.
Testemunhas relataram ter alertado a equipe do Samu sobre os sinais vitais de Fernanda durante o atendimento, mas foram informadas de que o óbito já havia sido constatado. Um vídeo gravado no local mostra o momento em que a vítima é coberta com a manta térmica, procedimento padrão em casos de morte.
Apurações adicionais e envolvimento do Cremesp
O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) também abriu uma sindicância para avaliar a conduta profissional no caso, mantendo sigilo conforme determina a lei. As investigações continuam em andamento, com foco em esclarecer todos os aspectos do ocorrido, desde o atropelamento até os erros no socorro prestado.
Enquanto isso, Fernanda Policarpo segue em tratamento intensivo, com esperanças de recuperação total. O caso tem gerado amplo debate sobre a eficácia dos protocolos de emergência e a necessidade de maior rigor nos atendimentos de urgência em todo o país.