Violência contra profissionais de saúde cresce 40% em Campinas em 2025
Violência contra profissionais de saúde sobe 40% em Campinas

Violência contra profissionais de saúde cresce 40% em Campinas em 2025

Os casos de violência contra profissionais da saúde registraram um aumento alarmante de 39,6% na região de Campinas durante o ano de 2025. Conforme dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP), foram contabilizados 159 boletins de ocorrência em 2024, número que saltou para 222 registros no ano passado. Esses números correspondem especificamente a ocorrências policiais em que a vítima era um trabalhador da saúde atuando em seu ambiente laboral.

Paralisação e protestos por segurança

Nesta segunda-feira, 30, funcionários do CS Centro, localizado em Campinas, realizaram uma paralisação como forma de protesto contra um episódio de violência registrado na semana anterior. O incidente envolveu uma mulher em possível surto durante um atendimento médico, cujo acompanhante teria danificado um monitor da sala de atendimento, conforme relatado pelo Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal (STMC).

A vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Campinas (SinSaúde), Juliana Machado, destacou que as agressões a profissionais da saúde ocorrem principalmente em prontos-socorros, ambientes marcados por sobrecarga, superlotação e falta crônica de insumos médicos. "Sem dúvida em prontos-socorros, devido à sobrecarga, à superlotação, às vezes falta de insumo, falta de material ou de algum procedimento que não atende à contenção", afirmou Machado.

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Relatos de profissionais que deixaram a área

Juliana Alves de Andrade, que atuou como técnica de enfermagem por 19 anos antes de se tornar advogada, decidiu abandonar a profissão devido à pressão constante e à exposição frequente à violência dentro das unidades de saúde. "Nós somos linha de frente. Então, todos os problemas que acontecem no atendimento de saúde, a população em geral acaba direcionando para a enfermagem", relatou.

Ela explicou que situações como demora no atendimento, regras institucionais ou problemas administrativos frequentemente recaem sobre esses profissionais. Durante seu tempo na área, Juliana testemunhou diversos episódios violentos, incluindo um caso grave em que um colega foi agredido fisicamente por um acompanhante de paciente após negar entrada na unidade, seguindo protocolos estabelecidos. "O acompanhante o agrediu fisicamente, rasgou a roupa dele todinha. Agressão física eu nunca tinha presenciado até aquele momento, esse foi o de pior que eu vi", contou.

Fatores que contribuem para a violência

Segundo Juliana Machado, muitas agressões ocorrem quando os profissionais seguem critérios técnicos e regras das unidades de saúde. "Tivemos situações de trabalhadores que foram agredidos porque privaram um certo espaço para a higienização, ou que deram prioridade ao atendimento que era mais grave em decorrência de uma dor de cabeça ou de um mal-estar momentâneo", mencionou.

A representante sindical também relembrou um caso extremo ocorrido em Limeira, onde um paciente adentrou uma unidade de saúde portando uma réplica de arma e ameaçou funcionários do local. Após o incidente, muitos profissionais passaram a buscar acompanhamento psicológico através do sindicato.

Juliana Alves de Andrade faz um alerta para quem considera seguir carreira na área de enfermagem: "É uma profissão maravilhosa, mas é uma profissão de doação. É preciso colocar na balança o que de fato se busca para a vida". A situação evidencia a necessidade urgente de medidas que garantam a segurança dos profissionais de saúde, que atuam na linha de frente do sistema público.

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