Suspensão Temporária da Vacinação Antirrábica em Municípios Paulistas
As cidades de Araraquara, Porto Ferreira e São João da Boa Vista, localizadas no interior de São Paulo, anunciaram a suspensão temporária da vacinação antirrábica preventiva em cães e gatos. A medida, de caráter preventivo, foi tomada devido ao desabastecimento da vacina no estado, conforme informado pelas prefeituras municipais.
Priorização para Casos Críticos e Exposição a Riscos
Apesar da interrupção da imunização de rotina, os estoques remanescentes de vacina serão destinados exclusivamente para situações consideradas críticas. Isso inclui animais que tenham sido expostos a situações de risco, como contato com morcegos ou outros mamíferos silvestres, que são potenciais transmissores do vírus da raiva.
Em nota oficial, a Prefeitura de Araraquara esclareceu que a decisão segue orientação dos órgãos estaduais de saúde e permanecerá vigente até a regularização do fornecimento do imunobiológico. Já a administração municipal de São João da Boa Vista atribuiu o desabastecimento ao atraso no processo licitatório nacional para aquisição da vacina, realizado pelo Ministério da Saúde, o que resultou na escassez de doses em todo o território paulista.
Alternativas e Previsão de Normalização
"Aos interessados em vacinar seus animais neste período, a vacina antirrábica segue disponível na rede particular de clínicas veterinárias. Assim que o fornecimento do imunobiológico for regularizado, o serviço de vacinação será retomado", afirmou a Prefeitura de São João da Boa Vista. A Prefeitura de Porto Ferreira, por sua vez, confirmou à EPTV, afiliada da TV Globo, que recebeu um ofício do governo estadual determinando a suspensão da vacinação de rotina, mantendo-a apenas para casos de contato com morcegos, com previsão de normalização para maio.
Enquanto isso, outras cidades da região, como Araras, Leme, Matão e São Carlos, informaram que a vacinação antirrábica segue normalmente. Já Rio Claro está utilizando suas doses disponíveis em casos emergenciais envolvendo contato com morcegos, sem confirmar oficialmente a suspensão da imunização preventiva.
Posicionamento do Ministério da Saúde e Contexto da Raiva
O Ministério da Saúde emitiu nota informando que enviou, no último mês, 250 mil doses da vacina antirrábica animal para a Secretaria Estadual de Saúde (SES-SP), atendendo à quantidade solicitada pelo estado. Em 2023, São Paulo recebeu mais de 600 mil doses, equivalente a 100% da demanda. A distribuição aos municípios é de responsabilidade da secretaria estadual.
O ministério destacou ainda que, desde 2022, por decisão da SES-SP, a vacinação antirrábica no estado não é realizada por campanhas anuais, mas de forma direcionada, priorizando áreas ou situações de risco e ações de bloqueio. O g1 tentou contato com a SES-SP, mas não obteve retorno até o momento.
Entendendo a Raiva e Suas Formas de Prevenção
A raiva é uma doença grave causada pelo vírus Lyssavirus, com taxa de mortalidade próxima a 100% em pacientes contaminados. O vírus afeta o sistema nervoso central, causando encefalite que evolui rapidamente. A transmissão ocorre principalmente pela saliva de animais infectados, através de mordidas, arranhões ou lambidas, e pode envolver diversos mamíferos, incluindo cães, gatos, vacas e morcegos.
Os sintomas podem incluir:
- Alterações de comportamento, como confusão mental e agressividade
- Hidrofobia (espasmos ao sentir água ou vento)
- Mal-estar geral, náuseas e dor de garganta
Em caso de possível exposição ao vírus, é imprescindível lavar o ferimento com água corrente e sabão e buscar atendimento médico imediato para aplicação da vacina e soro. A vacina não tem contraindicação e é uma das principais formas de prevenção, juntamente com:
- Vacinação de animais de estimação
- Evitar contato com animais desconhecidos
- Não tocar em animais silvestres
- Prevenir a entrada de morcegos em residências



