Operação conjunta apreende uma tonelada de emagrecedores ilegais em centro logístico dos Correios de Campo Grande
Uma ação integrada entre a Vigilância Sanitária e a Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul resultou na apreensão de aproximadamente uma tonelada de medicamentos emagrecedores ilegais no centro logístico dos Correios de Campo Grande. A operação, denominada "Visa-Protege", foi conduzida ao longo dos últimos 75 dias e teve seu balanço divulgado nesta segunda-feira, 20 de maio.
Monitoramento revela envios suspeitos e estratégias de ocultação
Durante dois meses e meio, as autoridades monitoraram encomendas suspeitas no Centro de Distribuição e Triagem, interceptando cargas que, em sua maioria, tinham origem paraguaia. Os produtos apreendidos não possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária e eram camuflados dentro de objetos comuns para despistar a inspeção por raio-x.
Entre os itens utilizados para esconder os medicamentos estavam cabeças de bonecas, potes de creme e ursos de pelúcia, evidenciando a sofisticação dos métodos empregados pelos criminosos. A apreensão inclui substâncias como TG, Lipoless, Tirzec e Retatrutida, que eram transportadas sem o devido controle de temperatura, comprometendo sua eficácia e segurança.
Rota logística do contrabando e riscos à saúde
A investigação identificou um padrão claro no fluxo desses produtos ilegais. Eles entram no Brasil pela fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e são enviados via postal para estados do Nordeste, onde seriam entregues diretamente aos consumidores finais. Mato Grosso do Sul se tornou uma rota estratégica para esse contrabando, aproveitando estradas historicamente usadas pelo tráfico de drogas como cocaína e maconha.
Matheus Pirolo, gerente de Apoio aos Municípios da Vigilância Sanitária, alertou sobre os perigos: "O principal objetivo não é combater a tecnologia em si, que é ótima, mas sim o uso irracional dessa tecnologia. Estamos falando de produtos sem controle sanitário, sem registro, sem rastreabilidade, transportados fora das condições adequadas e sem qualquer acompanhamento médico".
Punições e destino do material apreendido
Toda a carga ilegal está sob custódia da Secretaria Estadual de Saúde e será incinerada pela Polícia Civil, seguindo o mesmo procedimento aplicado a drogas ilícitas. Estabelecimentos que comercializarem esses produtos, como clínicas de estética e farmácias, estão sujeitos a penalidades severas:
- Aplicação de multas
- Interdição cautelar por até 90 dias
- Apreensão de estoques
No âmbito criminal, os responsáveis podem responder por crimes de contrabando, infração contra o consumidor e exercício irregular da profissão. As autoridades continuam a desmantelar estratégias de ocultação, como o uso de caixas de tereré, por meio de monitoramento constante nos centros de triagem.



