TCDF exige explicações sobre equipamentos hospitalares parados na UPA Ceilândia II
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou um prazo de 15 dias para que o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges) se manifeste sobre equipamentos hospitalares que permanecem inoperantes na UPA Ceilândia II desde o ano de 2023. A medida foi anunciada nesta sexta-feira (24), mesmo dia da inauguração da unidade, e visa esclarecer a situação de itens essenciais como ventiladores mecânicos e monitores cardíacos.
Contrato milionário e falhas na execução
De acordo com informações do tribunal, o Iges mantém um contrato inicial de R$ 9,8 milhões com uma empresa responsável pela manutenção desses equipamentos. No entanto, após sucessivos aditivos, o valor total repassado chegou à expressiva soma de R$ 34 milhões. Apesar do investimento elevado, o TCDF aponta que as manutenções necessárias não estão sendo realizadas, deixando os aparelhos parados e comprometendo a assistência à população.
A reportagem tentou contato com o Iges para obter mais detalhes sobre o caso, mas não recebeu retorno até o momento da publicação. A ausência de resposta reforça as preocupações em torno da transparência e da eficiência na gestão dos recursos públicos destinados à saúde.
Irregularidades identificadas pelo tribunal
O TCDF destacou uma série de irregularidades nos ajustes contratuais entre o instituto e a empresa contratada. Entre os principais problemas relatados estão:
- Falhas recorrentes na execução dos serviços de manutenção dos equipamentos;
- Justificativas consideradas frágeis pela contratada para a não realização dos consertos necessários;
- Ausência de inventário adequado e de documentação obrigatória sobre as máquinas com defeito.
Mesmo diante das falhas apontadas, a Secretaria de Saúde autorizou os aditivos contratuais, conforme relatado pela corte. Essa decisão ampliou o escopo de atuação da empresa, que passou a atender também o Hospital Cidade do Sol, localizado em Ceilândia, com aumentos que variam de 6,35% a 28% nos valores dos contratos.
Impacto na saúde pública e próximos passos
A situação expõe graves deficiências na gestão dos equipamentos hospitalares, essenciais para o funcionamento adequado das unidades de saúde no Distrito Federal. A inoperância de ventiladores mecânicos e monitores cardíacos, por exemplo, pode afetar diretamente a qualidade do atendimento prestado à comunidade, especialmente em momentos de alta demanda.
O prazo de 15 dias estabelecido pelo TCDF representa uma oportunidade para que o Iges apresente esclarecimentos detalhados e propostas concretas para resolver o impasse. Caso as respostas não sejam satisfatórias, o tribunal poderá adotar medidas mais rigorosas para garantir a correta aplicação dos recursos públicos e a efetiva manutenção dos equipamentos.
Este caso reforça a necessidade de maior fiscalização e transparência nos contratos de saúde, assegurando que os investimentos realizados resultem em benefícios reais para a população. Acompanhe as atualizações sobre este e outros temas relevantes para o Distrito Federal.



