SUS lança teleatendimento para dependentes em apostas; meta é 600 consultas mensais
SUS oferece teleatendimento para dependentes em apostas

SUS implementa teleatendimento para combater dependência em apostas online

O Ministério da Saúde, em parceria estratégica com o Hospital Sírio-Libanês de São Paulo, deu início nesta terça-feira, 3 de março de 2026, a um serviço pioneiro de teleatendimento voltado especificamente para pessoas que enfrentam dependência em bets e outros jogos de azar virtuais. Classificada como uma "ameaça à saúde pública" pela renomada Comissão Lancet, essa forma de vício tem se mostrado particularmente traiçoeira, transformando celulares em verdadeiros "cassinos de bolso" disponíveis 24 horas por dia.

Impacto nacional e resposta do sistema público

Segundo estimativas atualizadas da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), aproximadamente 4 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de transtorno relacionado a apostas. O problema transcende a esfera do lazer, gerando graves consequências:

  • Endividamento familiar progressivo e muitas vezes catastrófico
  • Aumento significativo de casos de depressão e ansiedade
  • Risco elevado de comportamentos suicidas em situações extremas

Diante desse cenário alarmante, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou durante evento de simulação do serviço que "a introdução do teleatendimento surge da percepção de que pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas raramente procuram serviços de saúde presenciais". O estigma social, a vergonha em admitir o problema e o temor de julgamento por parte de familiares e amigos criam barreiras significativas para o acesso ao tratamento tradicional.

Funcionamento do serviço e investimento público

Com um investimento inicial de 2,5 milhões de reais, o novo serviço será acessado exclusivamente através do aplicativo Meu SUS Digital. A operacionalização segue um fluxo cuidadosamente estruturado:

  1. Download do aplicativo e login com conta gov.br
  2. Acesso à seção "Miniapps" e seleção da opção "Problemas com jogos de apostas?"
  3. Realização de um autoteste validado cientificamente para identificação de riscos
  4. Encaminhamento automático para teleatendimento nos casos moderados e graves

As consultas, disponíveis para maiores de 18 anos, são realizadas por vídeo com duração média de 45 minutos e integram ciclos estruturados de cuidado que podem incluir até 13 sessões por paciente – seja em modalidade individual ou em grupo com a rede de apoio. A confidencialidade e gratuidade são garantidas pelo Ministério da Saúde.

Equipe multidisciplinar e integração com outras iniciativas

O atendimento será conduzido por uma equipe especializada composta por:

  • Psicólogos e terapeutas ocupacionais como primeira linha de cuidado
  • Suporte psiquiátrico quando necessário para casos mais complexos
  • Assistentes sociais e equipes de medicina da família para facilitar o acesso a outros serviços de saúde

Esta ação se insere em um conjunto mais amplo de medidas governamentais para mitigar os danos causados pela dependência em apostas, que inclui a Plataforma de Autoexclusão Centralizada – permitindo que usuários bloqueiem voluntariamente seu acesso a todos os sites de apostas autorizados no Brasil – e o Observatório Saúde Brasil de Apostas, canal integrado dos ministérios da Saúde e da Fazenda para monitoramento e oferta de ajuda.

Dimensão global do problema

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 1,2% da população mundial sofre com transtornos por jogos e apostas. O grupo da Comissão Lancet projeta que as perdas líquidas globais dos usuários podem alcançar a impressionante marca de 700 bilhões de dólares até 2028, evidenciando a magnitude econômica e social do problema.

No Brasil, dados do próprio Ministério da Saúde revelam que foram realizados 6.157 atendimentos presenciais relacionados à dependência em apostas no ano anterior à implementação do teleatendimento, número que se espera expandir significativamente com a nova modalidade remota. A meta inicial estabelecida pela pasta é oferecer 600 consultas mensais através da parceria com o Hospital Sírio-Libanês, representando um avanço crucial na democratização do acesso a tratamento especializado para um problema de saúde pública que afeta milhões de famílias brasileiras.