Vigilância em Saúde investiga surto de Doença de Chagas no Amapá ligado ao açaí
A Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) confirmou três casos de doença de Chagas em Macapá, capital do Amapá, todos relacionados ao consumo de açaí contaminado. Outros oito casos suspeitos estão sob investigação, e uma pessoa já faleceu em decorrência da infecção. Os registros ocorreram no bairro Jardim Marco Zero, localizado na Zona Sul de Macapá, levantando alertas sobre a segurança alimentar na região.
Transmissão oral na Amazônia e riscos do açaí
A superintendente da SVS, Cláudia Pimentel, explicou que, no estado do Amapá e em toda a região Norte, não é incomum o registro de casos agudos da doença de Chagas, especialmente ligados ao consumo de açaí. "Os açaizeiros estão em regiões de mata, e é óbvio que há barbeiros lá, que são os insetos transmissores. As pessoas fazem uso do açaí e, quando o fruto é triturado junto com o inseto, há uma carga parasitária muito grande, o que pode levar à infecção", afirmou.
A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e, na Amazônia, pode ser transmitida de forma oral, o que destaca a importância do manejo adequado dos alimentos. Os sintomas iniciais incluem:
- Febre
- Mal-estar geral
- Inchaço no rosto
No entanto, a infecção pode evoluir para complicações graves, como problemas cardíacos e digestivos, exigindo atenção médica imediata.
Recomendações para prevenção e segurança
Diante do surto, a recomendação das autoridades de saúde é que a população consuma açaí apenas de locais fiscalizados e que adotem boas práticas de higiene para evitar contaminação. "A gente orienta sobre os cuidados no manejo do açaí, do fruto até o momento de ele ser batido na batedeira, então, a gente orienta também aos empresários que lidam com o açaí que eles façam o protocolo de manejo adequado", reforçou Cláudia Pimentel.
Essas medidas são cruciais para prevenir novos casos, especialmente em uma região onde o açaí é um alimento tradicional e amplamente consumido. A vigilância contínua e a educação pública sobre os riscos associados ao consumo de produtos não fiscalizados são passos essenciais para conter a propagação da doença.



