Superbactéria KPC leva ao fechamento temporário da UTI do Hospital Mário Gatti em Campinas
Superbactéria fecha UTI do Mário Gatti em Campinas

Superbactéria KPC força fechamento temporário da UTI do Hospital Mário Gatti em Campinas

O Hospital Mário Gatti, localizado em Campinas, no interior de São Paulo, anunciou o fechamento temporário de sua Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para novas internações a partir desta terça-feira (10). A decisão foi tomada devido à dificuldade em conter a disseminação da superbactéria KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase), que foi identificada em sete pacientes internados na unidade.

Segundo informações do hospital, a KPC é uma bactéria comum em ambientes hospitalares, mas, neste caso específico, os protocolos padrões de limpeza e segurança não têm sido suficientes para controlar sua presença. Mesmo após a "limpeza terminal" realizada nos leitos quando os pacientes são liberados – processo que inclui a desinfecção de camas, equipamentos e até paredes – a bactéria continua muito presente, representando um risco significativo de novas infecções.

Medidas de segurança e remanejamento de pacientes

Andrea Von Zuben, coordenadora do setor de informações da Rede Mário Gatti, explicou que o fechamento temporário visa proteger os pacientes, interromper a transmissão da bactéria e permitir uma limpeza mais profunda da UTI, além de uma pequena reforma no local. A expectativa é que a reabertura ocorra em até 30 dias, desde que o ambiente seja considerado seguro novamente.

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"A ideia nesse momento é proteger o paciente, interromper a transmissão e só vir a admitir novamente pessoas quando a gente estiver com o ambiente mais seguro. Não quer dizer que não vai mais ter KPC na UTI ou que KPC é uma coisa que vai ser eliminada. Isso não existe. A gente quer voltar à medida de controle, que realmente saiu um pouco do controle", afirmou Von Zuben em entrevista à EPTV.

Ela destacou ainda que o tratamento individual dos pacientes infectados tem funcionado, mas o grande desafio está em evitar novos casos. Para isso, os sete pacientes diagnosticados com a KPC foram isolados em um salão específico da UTI, com uma equipe exclusiva para atendê-los. Os outros 13 pacientes que estavam em outro salão da UTI serão remanejados para enfermarias que serão transformadas em unidades de terapia intensiva temporárias, medida semelhante à adotada durante a pandemia de Covid-19.

Detecção e plano de contingência

A presença da superbactéria foi detectada durante o monitoramento de rotina realizado pelas equipes assistenciais e pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do hospital. Diante do surto, a Prefeitura de Campinas elaborou um plano de contingência, que foi enviado ao Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) na manhã desta segunda-feira (9) e está em análise.

As ações incluem:

  • Intensificação das limpezas terminais dos leitos.
  • Reforço na higienização das mãos por parte da equipe médica e de limpeza.
  • Capacitações adicionais para as equipes de limpeza.
  • Manutenção da UTI aberta apenas para casos de urgência e emergência, com pacientes que necessitarem de terapia intensiva sendo encaminhados para outros hospitais da cidade.

Von Zuben ressaltou que a unidade permanecerá de portas abertas para situações críticas, mas a prioridade é evitar que novos pacientes, já fragilizados, adquiram a bactéria. "O que a gente não deseja é que novos pacientes já fragilizados venham a adquirir a bactéria", completou.

As medidas de contingência serão mantidas até que o cenário seja considerado estável pelas equipes técnicas, garantindo a segurança de todos os envolvidos e a qualidade do atendimento no Hospital Mário Gatti.

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