Secretário de Saúde do Rio chama médicos de 'idiotas' após protesto por reajuste salarial
Secretário do Rio chama médicos de 'idiotas' após protesto

Polêmica no Rio: Secretário de Saúde insulta médicos em protesto por melhores salários

O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, gerou intensa controvérsia ao se referir a médicos e enfermeiros que protestavam por reajuste salarial como "uma meia dúzia de idiotas". A declaração ocorreu após manifestação realizada na terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, em frente à Prefeitura do Rio, no Centro da cidade.

Contexto do protesto e resposta do secretário

Profissionais da saúde realizaram ato público reivindicando aumento salarial e denunciando problemas crônicos do sistema de saúde carioca, incluindo falta de medicamentos, insegurança nas unidades e condições precárias de trabalho. Segundo o sindicato da categoria, o protesto aconteceu após a "quebra de promessa do pagamento retroativo das variáveis e do pequeno reajuste salarial".

Em entrevista à revista VEJA, Soranz não recuou das declarações polêmicas, justificando que os profissionais demonstraram "falta de empatia" ao realizarem greve enquanto a cidade enfrentava as consequências de fortes chuvas. "Minha crítica é que não é o momento. Depois de uma chuva fortíssima na cidade, numa situação supercrítica, algumas pessoas abandonaram seus postos de trabalho no momento que a comunidade precisa muito", afirmou o secretário.

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Argumentação do gestor e reação dos profissionais

Soranz acrescentou que o ato "poderia ser feito um dia depois, poderia ser feito dois dias depois" e definiu o momento como "inoportuno". Ele também afirmou que "falta honestidade intelectual" nas acusações de que seria contrário a qualquer forma de paralisação, classificando tais alegações como "covardes e desleais".

O Sindicato dos Médicos reagiu com veemência às declarações, emitindo nota oficial que condena o ataque verbal. "Quando o gestor parte para o insulto, é porque não consegue responder aos fatos", afirmou a entidade. "Xingar esses profissionais que seguem se dedicando à população mesmo diante dos calotes, dos atrasos e das condições precárias de trabalho é desrespeitar não apenas a categoria, mas toda a sociedade que depende do SUS."

Detalhes da paralisação e impacto no atendimento

De acordo com informações do sindicato, aproximadamente 150 pessoas participaram do ato de protesto, representando cerca de 30% do efetivo, enquanto 70% continuaram trabalhando normalmente. Os médicos, em particular, iniciaram uma paralisação que se estendeu até 11 de fevereiro, mantendo 50% do atendimento durante esse período.

O comunicado sindical também destacou que a população "está vendo, no dia a dia, que a saúde do Rio de Janeiro está ruim, com unidades sobrecarregadas, falta de profissionais, falta de medicamentos e atendimento comprometido". A entidade reforçou que o movimento não representa apenas os profissionais, mas "também milhões de usuários que sofrem com o sucateamento do sistema".

Contexto político e comparações nacionais

Daniel Soranz argumentou ainda que o protesto "desconsidera o contexto nacional" e que "em comparação a outros municípios, a outros locais do país, o Rio vem avançando a cada dia". O secretário sugeriu que o movimento possui "um componente político expressivo", embora não tenha detalhado essa afirmação.

A polêmica ocorre em meio a debates sobre o financiamento da saúde pública no município e as condições de trabalho dos profissionais do setor, que enfrentam desafios estruturais há anos. O episódio revela tensões significativas entre a gestão municipal e os trabalhadores da saúde, com potencial impacto no atendimento à população carioca.

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