Santa Catarina analisa fornecimento gratuito de caneta emagrecedora para obesidade grave
SC analisa fornecimento gratuito de caneta emagrecedora

Assembleia Legislativa de Santa Catarina debate fornecimento gratuito de medicamento para obesidade grave

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) está analisando um Projeto de Lei que pode transformar o acesso ao tratamento da obesidade no estado. O PL 0766/2025, apresentado em outubro de 2025 pelo deputado Sérgio Motta (Republicanos), propõe o fornecimento gratuito do Tirzepatida a pacientes diagnosticados com obesidade grau III, o estágio mais avançado da doença.

Medicamento que virou febre no país

O Tirzepatida é o princípio ativo de medicamentos como o Mounjaro, que ganhou popularidade nacional por sua eficácia na perda de peso. Aplicado através de dispositivos conhecidos como "canetas emagrecedoras", o medicamento atua como um agonista do GLP-1, imitando um hormônio natural do intestino que controla o açúcar no sangue e reduz o apetite.

Na terça-feira (3), o projeto recebeu pedido de vistas de um parlamentar para análise mais aprofundada, sem previsão definida para retorno à pauta. O texto estava sendo examinado pela Comissão de Finanças e Tributação da Alesc.

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Critérios rigorosos para acesso

O público-alvo do projeto são pessoas com obesidade grau III, caracterizada por Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 40 kg/m², conforme parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS). O acesso ao medicamento será condicionado a diversos requisitos:

  • Prescrição médica por profissional habilitado da rede pública com especialização em tratamento de obesidade
  • Laudo médico que comprove diagnóstico de obesidade mórbida e indicação específica da Tirzepatida
  • Avaliação multidisciplinar prévia e acompanhamento regular durante todo o tratamento
  • Comprovação de renda familiar mensal de até três salários mínimos
  • Pacientes com comorbidades que impliquem maior risco cardiovascular terão prioridade

Para pacientes entre 16 e 18 anos, será necessária autorização dos responsáveis e supervisão de equipe médica especializada.

Compromissos dos pacientes

O fornecimento do medicamento está condicionado ao cumprimento de obrigações específicas pelos beneficiários:

  1. Adesão ao plano terapêutico estabelecido por médico em conjunto com equipe multiprofissional
  2. Comparecimento regular às consultas de acompanhamento clínico e multiprofissional
  3. Assinatura de termo de ciência e responsabilidade, pelo paciente ou responsável legal

Contexto nacional e alertas de segurança

O Ministério da Saúde destacou que a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) permite que estados e municípios ofereçam serviços complementares conforme demanda local. A pasta informou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recebeu solicitação para priorizar o registro de medicamentos com esses princípios ativos para tratamento de obesidade e diabetes tipo 2.

"Com a entrada de novos medicamentos genéricos no mercado e o aumento da concorrência, os preços devem cair de forma significativa. Em média, estudos apontam que os genéricos induzem queda de 30% nos preços. Esse é um fator determinante para a análise de sua possível incorporação ao SUS", informou o Ministério da Saúde.

Em fevereiro, a Anvisa emitiu alerta sobre o uso inadequado dessas canetas para tratamento de obesidade e diabetes sem acompanhamento médico adequado. O documento citou aumento nas notificações de casos de pancreatite associados ao uso de medicamentos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro.

Em Santa Catarina, foram registrados pelo menos quatro casos de pacientes com efeitos neurológicos após o uso das canetas emagrecedoras. A pancreatite, inflamação do pâncreas que pode ser fatal se não tratada corretamente, tem sido uma das preocupações das autoridades sanitárias.

Desafios e perspectivas

A proposta de distribuição gratuita na rede pública catarinense enfrenta debates sobre viabilidade financeira, critérios de elegibilidade e mecanismos de controle. Enquanto defensores argumentam sobre o direito à saúde e redução de complicações da obesidade grave, críticos questionam custos e necessidade de priorização em um sistema de saúde com múltiplas demandas.

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O projeto representa um marco no debate sobre acesso a tratamentos modernos para obesidade no Brasil, doença que afeta milhões de brasileiros e representa desafio significativo para o sistema de saúde público.