Reino Unido intensifica ofensiva contra 'Brazilian butt lift' após casos graves
Reino Unido contra 'Brazilian butt lift' após casos graves

Reino Unido intensifica ofensiva contra 'Brazilian butt lift' após casos graves

O procedimento estético conhecido como Brazilian butt lift (BBL), popular entre quem busca aumentar os glúteos, está sob forte pressão de parlamentares e do governo no Reino Unido. Em documento divulgado nesta quarta-feira (18/2), o Comitê de Mulheres e Igualdade do Parlamento britânico recomendou mudanças na legislação para restringir a realização deste e outros procedimentos de alto risco apenas a médicos qualificados.

Mercado 'sem lei' preocupa autoridades

Atualmente, o país não possui regulamentação específica para procedimentos que não envolvem incisões cirúrgicas. Essa lacuna legal, conforme destacado no relatório final do comitê, criou um mercado "sem lei" onde intervenções estéticas chegam a ser realizadas em locais inadequados como imóveis alugados pelo Airbnb, quartos de hotel, galpões de jardim e até banheiros públicos.

Alguns desses tratamentos, embora classificados como "não cirúrgicos", são altamente invasivos e apresentam riscos significativos aos pacientes. Exemplos incluem o aumento de mamas com solução salina e a versão "não cirúrgica" do BBL, que utiliza preenchedores como o ácido hialurônico.

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Casos de complicações e mortes no Reino Unido

Nos últimos anos, diversos casos de complicações graves e óbitos foram registrados no Reino Unido após a realização do procedimento. O relatório parlamentar cita o depoimento impactante de uma mulher que desenvolveu sepse (infecção generalizada) após submeter-se a um "BBL líquido".

Sarah Owen, presidente do comitê, declarou: "A experiência dela e de muitas outras pessoas deve servir como um alerta urgente para o governo sobre a necessidade de mudanças."

História de Sasha Dean: um alerta sobre os riscos

No início de 2024, a britânica Sasha Dean entrou em coma após realizar o procedimento, que foi parcialmente conduzido em uma residência particular. Ela desenvolveu uma infecção generalizada que levou a múltiplas complicações.

"Tudo se transformou em um verdadeiro pesadelo muito rapidamente", relatou Dean à BBC. "Tive um ataque cardíaco, um dos meus pulmões colapsou, meus rins estavam falhando. Meu corpo simplesmente entrou em colapso."

Após cinco dias em coma induzido, Dean sobreviveu, mas enfrenta sequelas físicas significativas: "Perdi todo o meu cabelo, tenho problemas cognitivos, de visão. É uma batalha constante. Honestamente, arruinou minha vida." Hoje, ela alerta outras mulheres sobre os perigos do BBL e defende sua proibição.

Situação no Brasil e diferenças regulatórias

No Brasil, a versão com ácido hialurônico tem sido popularmente chamada de "harmonização de bumbum" e pode ser realizada por profissionais habilitados por conselhos de classe, como médicos e biomédicos, desde que sigam diretrizes estabelecidas.

O polimetilmetacrilato (PMMA) já foi utilizado nesse tipo de procedimento no país, mas, diante de uma onda de complicações e mortes, o Conselho Federal de Medicina (CFM) solicitou à Anvisa sua proibição em procedimentos estéticos no ano passado. Atualmente, seu uso é permitido apenas para casos médicos específicos.

O BBL tradicional, ou gluteoplastia, envolve a aplicação de gordura extraída de outras áreas do corpo na região dos glúteos e é considerado o procedimento com maior índice de mortalidade entre as cirurgias plásticas. Seu nome popular em diversos países, "Brazilian butt lift" (lifting de bumbum brasileiro), faz referência à anatomia curvilínea associada às brasileiras.

Pressão por ação regulatória acelerada

O relatório do comitê britânico critica o governo por não agir com a rapidez necessária na implementação de um sistema de licenciamento para procedimentos estéticos não cirúrgicos. Os parlamentares pedem que o Executivo acelere as ações regulatórias e se comprometa a introduzir o sistema de licenciamento até o final da legislatura atual, em 2029.

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De acordo com as propostas governamentais, intervenções de alto risco só poderão ser realizadas por profissionais de saúde regulamentados, com inspeções pela Comissão de Qualidade de Atendimento. Procedimentos de baixo risco, como botox e preenchimento labial, ficariam sujeitos a sistemas de licenciamento municipais.

Resposta do governo e panorama do setor

Uma porta-voz do Departamento de Saúde e Assistência Social afirmou que o governo já está tomando medidas para coibir "aspirantes a profissionais de estética" e erradicar tratamentos perigosos, mas não estabeleceu uma data concreta para a implementação.

"Nossas novas e rigorosas medidas garantirão que apenas profissionais de saúde qualificados possam realizar os procedimentos de maior risco", declarou. "Para quem estiver considerando um procedimento estético, verifique as qualificações e o seguro do profissional e evite tratamentos que pareçam suspeitosamente baratos."

Um estudo recente do University College London revelou que existem mais de 5.500 clínicas oferecendo tratamentos estéticos não cirúrgicos no Reino Unido, sendo que apenas um terço dos profissionais que atuam nesses locais são médicos qualificados. O relatório do comitê também destacou a falta de consistência nos padrões de treinamento, com alguns profissionais realizando apenas cursos online antes de oferecer os tratamentos.