A medicina tem avançado significativamente no tratamento do câncer, mas a prevenção continua sendo a ferramenta mais poderosa para reduzir o impacto da doença. Em artigo recente, o médico Claudio Lottenberg, presidente institucional do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Einstein Hospital Israelita, ressalta que, embora a ciência evolua, o número de casos de câncer cresce globalmente, exigindo ações preventivas urgentes.
O cenário do câncer no Brasil
Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Esse aumento é impulsionado pelo envelhecimento populacional e pela maior capacidade de diagnóstico. No entanto, muitos desses casos poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida e políticas públicas eficazes.
Fatores de risco evitáveis
Diversos estudos associam comportamentos específicos ao desenvolvimento de tumores. O tabagismo, por exemplo, é a principal causa do câncer de pulmão e de cavidade oral. Embora o Brasil tenha reduzido o consumo de tabaco de 34,8% para 12% da população desde 1989, a popularização dos cigarros eletrônicos entre os jovens preocupa. Mesmo proibidos, esses dispositivos são facilmente adquiridos e podem causar lesões pré-cancerígenas.
O consumo regular de álcool também está ligado a vários tipos de câncer, como de fígado, estômago, intestino e mama. Não existe dose segura, pois o álcool danifica o DNA. A alimentação rica em ultraprocessados, devido a conservantes e baixo teor de fibras, aumenta o risco de câncer colorretal, de ovário e de mama. O ideal é priorizar alimentos in natura.
Desigualdades no acesso à prevenção
Populações em regiões periféricas e indígenas enfrentam dificuldades de acesso a alimentos frescos e a serviços de saúde. Na região Norte, por exemplo, há alta incidência de câncer de colo do útero devido à baixa cobertura vacinal contra o HPV, e de câncer de estômago associado à bactéria Helicobacter pylori. Políticas públicas de busca ativa e interiorização de mamógrafos são essenciais.
A importância da atividade física e da vacinação
A prática regular de exercícios físicos combate a obesidade, que está associada a tumores no aparelho digestivo, rins e tireoide. O sedentarismo, comum no estilo de vida moderno, é um grande inimigo da saúde. Além disso, a vacina contra o HPV protege contra câncer de colo de útero, orofaringe, pênis, ânus, vagina e vulva. O SUS oferece a vacina quadrivalente, enquanto a rede privada disponibiliza a nonavalente, com cobertura de quase 90% dos cânceres causados pelo vírus.
Medidas fiscais e conscientização
A aprovação do imposto seletivo, conhecido como “imposto do pecado”, busca reduzir o consumo de cigarros, bebidas alcoólicas e refrigerantes. No entanto, a conscientização individual é fundamental. Adotar hábitos saudáveis não só melhora a qualidade de vida, mas também alivia a pressão sobre os sistemas de saúde público e privado, permitindo que recursos sejam direcionados a casos inevitáveis.



