Piracicaba cria tabela SUS própria para reduzir filas de cirurgias e exames
Piracicaba cria tabela SUS própria para agilizar cirurgias

A Prefeitura de Piracicaba anunciou a criação de uma tabela SUS própria, chamada Tabela SUS Piracicabana, com o objetivo de reduzir a fila de espera por cirurgias e ampliar a oferta de atendimentos clínicos na rede municipal. Atualmente, 1.421 pacientes aguardam por procedimentos cirúrgicos na cidade.

Cirurgias de coluna lideram fila de espera

As cirurgias de coluna são as mais demandadas, com 551 pacientes na fila. Em seguida, estão as cirurgias de joelho, com 368 pessoas aguardando. Para procedimentos de alta complexidade, o tempo de espera podia chegar de dois a cinco anos. Com a nova tabela, a meta é reduzir esse prazo para aproximadamente três meses.

Mais procedimentos e transparência

Com a Tabela SUS Piracicabana, a Santa Casa e o Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba deverão oferecer mais 450 tipos de procedimentos, exames e cirurgias. A administração municipal afirma que, a partir de agora, será possível monitorar quais procedimentos estão em espera, o prazo de realização e o valor pago por cada um, garantindo maior transparência.

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Negociação e parceria técnica

A criação da tabela começou com a assinatura do novo Plano Operacional Anual (POA) na última sexta-feira (24). O projeto teve um ano de negociações antes de ser concretizado, conforme a Secretaria de Saúde. A antiga forma de complementação municipal para os hospitais, que não previa incentivo individualizado, estava sendo questionada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). A prefeitura já complementava o valor desde 2012, mas o TCE passou a investigar esses repasses.

“O objetivo é garantir atendimento de qualidade, com redução das filas e remuneração justa pelos serviços”, disse o prefeito Helinho Zanatta. Os repasses da Tabela Piracicabana se somam aos recursos do Ministério da Saúde e da Tabela SUS Paulista, criada pelo governador Tarcísio de Freitas. O trabalho foi executado por técnicos da prefeitura em parceria com representantes da Santa Casa e dos Fornecedores de Cana, com consultoria externa da Fipe-USP.

Pacientes relatam longa espera

A paciente Marcia Almeida aguarda há quase um ano por duas cirurgias, nos olhos e nos seios. “É doloroso. Tenho muita dor de cabeça. É degradante”, lamentou. O universitário Oswaldo França Filho espera há quase um ano por uma consulta com neurologista. “Não tem fundamento. O povo sofre tanto. Quase um ano é muita coisa”, disse. A representante comercial Shirlei Lima esperou três meses por exame ginecológico e um ano por mamografia. A cuidadora Ana Lúcia Santana sente dores nos braços e aguarda consulta com ortopedista desde fevereiro. O pedreiro Josiel Barbosa espera há 90 dias por neurologista. A auxiliar de produção Lucilene Oliveira dos Santos desistiu após mais de um ano aguardando oftalmologista e pagou consulta particular.

Faltas em consultas agravam filas

Entre janeiro e março de 2026, 57.332 consultas e exames deixaram de ser realizados em Piracicaba porque os pacientes não compareceram. O número representa 23% dos 248.143 atendimentos agendados no período. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o impacto é direto nas filas. Com base nos números de 2025, quando foram registradas 310.365 faltas, seria possível zerar a fila atual. As áreas mais afetadas são radiologia e terapia ocupacional. Na atenção básica, o índice de ausências é 26,7%; na atenção secundária, 20,4% nas consultas especializadas e 17,3% nos exames.

Quando o paciente falta sem aviso, a vaga é perdida e não pode ser reaproveitada, obrigando o usuário a retornar ao fim da fila. A Secretaria orienta que, caso não consiga comparecer, o cancelamento seja feito antecipadamente para evitar desperdício de vagas e reduzir o tempo de espera.

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