Pará enfrenta surto de doença de Chagas com 52 casos e cinco mortes em 2026
O estado do Pará registrou um total de 52 casos confirmados de doença de Chagas durante os três primeiros meses do ano de 2026, conforme dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa). Cinco mortes foram confirmadas no mesmo período, alertando para a gravidade da situação epidemiológica na região.
Belém lidera número de casos e estratégias de prevenção são intensificadas
A capital paraense, Belém, apresenta o maior número de registros, com 11 casos identificados. Diante desse cenário preocupante, um grupo de trabalho está desenvolvendo um plano abrangente para prevenir novos surtos em todo o estado. A proposta central é integrar diferentes áreas da saúde, com ênfase especial na transmissão oral da doença, que permanece recorrente na região amazônica.
Uma das estratégias fundamentais envolve a capacitação de trabalhadores que atuam diretamente com o açaí, alimento frequentemente associado a casos da doença quando contaminado pelo inseto transmissor, conhecido como barbeiro. Em Belém, cursos gratuitos são oferecidos na Casa do Açaí, administrada pela Secretaria Municipal de Saúde.
Capacitação para manipulação segura do açaí busca recuperar confiança
Com duração de três horas, as capacitações combinam teoria e prática para orientar sobre:
- Manejo seguro do fruto do açaí
- Formas eficazes de evitar a contaminação pelo barbeiro
- Todas as etapas do processamento, desde a colheita até o consumo
A iniciativa também tem como objetivo recuperar a confiança dos consumidores e minimizar os impactos negativos nas vendas do produto. "As vendas foram prejudicadas por causa do barbeiro", relatou a empreendedora Maíra Viana, destacando as consequências econômicas do problema.
Dados epidemiológicos mostram tendência preocupante
Os números revelam uma situação alarmante:
- Em 2025, o Pará registrou 510 casos de doença de Chagas e oito mortes
- Em 2026, apenas entre janeiro e março, foram 52 casos e cinco mortes
- Além de Belém, os municípios com mais registros são Ananindeua e Breves, com seis casos cada
Segundo a coordenação da Casa do Açaí, a meta é capacitar até 400 pessoas por mês, abrangendo análise detalhada de todas as etapas do processamento do açaí. Especialistas afirmam que o plano em elaboração deve consolidar a redução de casos no estado e reforçar as estratégias de prevenção, especialmente entre produtores e consumidores.
O barbeiro, inseto transmissor da doença de Chagas, continua sendo um desafio significativo para a saúde pública na região amazônica, exigindo ações coordenadas e educação continuada para controle eficaz da enfermidade.



