Crise na saúde de Ribeirão Preto: Pacientes com AVC e apendicite sofrem com espera prolongada
Pacientes com AVC e apendicite sofrem espera em Ribeirão Preto

Crise na saúde de Ribeirão Preto: Pacientes com AVC e apendicite sofrem com espera prolongada

A saúde municipal de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, enfrenta uma grave crise esta semana, com pacientes em condições urgentes, como acidente vascular cerebral (AVC) e apendicite, submetidos a longas esperas por atendimento. Os problemas foram registrados pela reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, na Santa Casa, e ocorrem após a suspensão dos serviços de emergência e urgência no Hospital Beneficência Portuguesa, alvo de ação do Ministério Público por irregularidades graves no acolhimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Casos emblemáticos de negligência

Entre as situações mais críticas, está a de uma adolescente de 16 anos diagnosticada com apendicite. A auxiliar de limpeza Stephanie Louise Paris relatou que sua filha, após idas e vindas a unidades de saúde desde segunda-feira (9), só foi encaminhada para cirurgia nesta sexta-feira (13), sofrendo com dores intensas por dias. "Várias pessoas me ajudaram entrando em contato com a central da ambulância, e eles alegavam que, por conta de a Beneficência estar em obra, a demanda aqui estava muito grande, que não tinha o que fazer, tinha que aguardar. Um descaso total com a população", desabafou.

Outro caso alarmante é o de uma mulher com suspeita de AVC, cuja filha, Marinalva Oliveira Bezerra, denunciou a falta de leitos. "Eu fiquei do dia 10 até hoje, dia 13, em uma sala com umas 15 pessoas. As outras foram transferidas. Teve gente que estava esperando até 10 dias e aí conseguiu", contou, enquanto ainda aguardava por uma vaga para internação.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Contexto da suspensão e impactos no sistema

A crise se agravou após uma decisão judicial, no fim de janeiro, que proibiu a Prefeitura e o estado de transferirem pacientes para a urgência e emergência do Hospital Beneficência Portuguesa. A medida foi uma resposta a uma ação civil do Ministério Público, que apontou falhas como ausência de enfermeiros, superlotação com pacientes em macas nos corredores, e diferenças entre setores de convênios e SUS em condições inferiores. A proibição permanece até que a instituição resolva os problemas.

Em nota, a Santa Casa confirmou enfrentar uma sobrecarga significativa, com falta de leitos e exaustão de profissionais, registrando um aumento de 30% na demanda de atendimentos em dez dias devido à suspensão na Beneficência. A entidade afirmou que tem absorvido a maior parte dos pacientes graves para compensar a inatividade do outro hospital, mas a espera por leitos ocorre pelo tempo necessário para rotatividade e transferências internas.

Medidas das autoridades e respostas institucionais

A Secretaria Municipal de Saúde comunicou que, diante do impacto esperado da decisão judicial, adotou medidas para reorganização do sistema, incluindo:

  • Readequação de espaço no NGA para uma nova Unidade de Retorno Assistencial.
  • Abertura de leitos no Hospital Francisco de Assis.
  • Negociação para compra de serviços em hospitais privados.

Em uma segunda nota, a Prefeitura informou que a Justiça autorizou a retomada dos atendimentos no Hospital Beneficência Portuguesa em um espaço provisório, com aval do Ministério Público e Vigilância Sanitária, enquanto a área original de urgência e emergência segue em reforma. Anteriormente, o hospital havia afirmado que cumpriu as exigências do MP relacionadas à estrutura física e corpo clínico, aguardando autorização para retomar os atendimentos pelo SUS.

Esta situação evidencia os desafios persistentes na saúde pública de Ribeirão Preto, com pacientes vulneráveis pagando o preço por falhas estruturais e administrativas, enquanto autoridades buscam soluções emergenciais para aliviar a pressão no sistema.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar