OMS classifica risco do vírus Nipah como baixo e explica diferenças para a Covid-19
OMS: risco do vírus Nipah é baixo, diferente da Covid

OMS avalia risco do vírus Nipah como baixo e destaca diferenças para a Covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um parecer oficial classificando como baixo o risco de disseminação global do vírus Nipah, que registrou dois casos confirmados na Índia. A entidade internacional reforçou que, apesar da alta letalidade do patógeno, as características de transmissão são fundamentalmente diferentes das observadas durante a pandemia de Covid-19.

Vigilância contínua e resposta eficaz na Índia

Segundo a nota técnica da OMS, as autoridades sanitárias indianas têm realizado um trabalho efetivo de identificação e contenção dos casos. O governo do país asiático informou que as duas vítimas são profissionais de saúde: um está em fase de recuperação, enquanto o outro permanece em estado grave.

O Ministério da Saúde da Índia testou mais de 190 pessoas que tiveram contato com os pacientes infectados, e nenhum dos testados apresentou sinais do patógeno. A OMS avalia como baixa a perspectiva de disseminação do vírus Nipah para outros estados indianos ou países da Ásia.

Na região de Bengala Ocidental, onde os casos foram identificados, o risco é considerado moderado devido à presença de reservatórios naturais do vírus – morcegos frugívoros que podem contaminar frutas ou ter contato direto com humanos.

Diferenças cruciais na transmissão viral

Especialistas em doenças infecciosas destacam que as características do vírus Nipah limitam significativamente seu potencial pandêmico. Diferentemente do coronavírus Sars-CoV-2, responsável pela Covid-19, o Nipah não se transmite facilmente por gotículas suspensas no ar através de tosse ou espirros.

"A infecção pelo Nipah requer contato mais íntimo e prolongado, relacionado aos fluidos corporais, ou por meio de frutas contaminadas pelos morcegos asiáticos", explica o infectologista Fernando Dias e Sanches, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro e estudioso do patógeno.

Outro fator limitador importante é a própria letalidade do vírus. Enquanto a Covid-19 apresenta uma taxa de letalidade global próxima de 1%, o vírus Nipah tem uma mortalidade que varia entre 40% e 70% dos casos. Essa alta letalidade frequentemente impede a cadeia de transmissão de pessoa para pessoa.

Riscos futuros e vigilância permanente

Apesar do cenário atual considerado controlado, especialistas alertam para a necessidade de vigilância contínua. Vírus podem sofrer mutações que os tornam mais aptos a se espalharem entre humanos, transformando zoonoses em epidemias.

"A maior preocupação não está apenas nos vírus raros e altamente letais, nem exclusivamente nos vírus comuns e muito transmissíveis, como gripe e covid, mas no equilíbrio entre letalidade, capacidade de disseminação e disponibilidade de contramedidas", analisa a infectologista e patologista Carolina Lázari, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial.

A OMS mantém seu sistema de monitoramento ativo para o vírus Nipah e reforça a importância da cooperação internacional em saúde pública para responder rapidamente a qualquer mudança no cenário epidemiológico.